sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Leitura de verão - Emily Henry

Publicado pela Verus Editora. Pensei que ia ser uma comédia romântica  simples e caí dentro do meu caos interior que tem dificuldade em sair do luto. Porém, calma, o livro é um romance e não é inteiramente sobre luto, apesar do assunto também aparecer.

January Andrews sempre acreditou em amor, romance e é sobre isso que ela escreve. Ela acreditou nisso por toda a vida observando o relacionamento dos pais que parecia ser ideal. Até o fatídico dia em que seu pai faleceu e ela descobriu que ele tinha uma amante e que sua mãe sabia de tudo, mas nunca tinha contado para ela. Com um coração partido e ao mesmo tempo vivendo o luto, ela tem que lidar com bloqueio criativo, o termino de seu relacionamento e a falta de dinheiro que a obriga a morar temporariamente na casa em que o pai ficava com a amante. Para completar o pacote, ela descobre que o vizinho ranzinza não é nada mais, nada menos que um ex colega de faculdade com quem ela tinha uma relação meio ambígua, Augustus Everett (algo entre desejo, rivalidade e inveja).

Quando comecei a ler, não esperava nenhum pouco que a mocinha estivesse lidando com  tanta coisa ao mesmo tempo. Eu geralmente deixo para ler coisas relacionadas a luto quando estou me sentindo bem porque é um tema que me pega. Por sorte, estava bem quando li. Isso é que dá não ter lido nenhuma resenha sobre ele antes. Entretanto a escrita da autora não é carregada e o assunto luto não  é tratado de forma central no livro, é só uma parte do que está acontecendo. Inclusive eu pensei muito mais na traição do  que na morte do pai dela.

A grande inspiração dela vinha do casamento dos pais,  sua crença em amor verdadeiro e ela viu isso ruir com a descoberta. Venhamos e convenhamos, imagina descobrir que o pai traiu a mãe que estava batalhando pela vida contra um câncer. O caos. Achei o pai dela um tremendo de um egoísta que magoou a esposa, a filha e a amante. Além de ter colocado a amante em uma posição horrível quando deixou instruções de que ela entregasse uma carta e a chave da casa para a January (nossa, mano! Que situação bizarra).

Além da mocinha estar enfrentando muita coisa. O mocinho, Augustus, também não fica atrás com seu histórico de traumas e coração partido. E eu acho que duas pessoas quebradas não deveriam entrar num relacionamento. Então, sinceramente, aconteceu pela primeira vez de que eu gostasse dos dois protagonistas de forma separada. Em boa parte do enredo não me senti extremamente confortável em ver o relacionamento acontecendo. Talvez eu esperasse que eles resolvessem as coisas antes de ficar juntos.  Sinceramente, gostei muito deles. Acho que foram personagens bem construídos e que conseguem gerar simpatia e afeto no leitor. Só queria que tivessem tido mais tempo para resolver suas questões antes de qualquer coisa. Enfim, é isso.  Já leram o livro ? Se sim, me diz aí o que acharam.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Valente - Holly Black

Segundo livro da trilogia Contos de fadas modernos publicada pela Galera. Os protagonistas desse livro não são os mesmo do primeiro livro. É uma história bem caótica. Val é uma adolescente com uma vida normal, mas ao descobrir que a mãe está tendo um caso com seu namorado, foge de casa e começa a viver nas ruas junto com Lolli, Dave e Luis. Além disso, ela descobre a existência de seres sobrenaturais e se pega em um pacto com um deles, Ravus.

Val não tem, ao que tudo indica, um bom relacionamento com os pais. Porque se tivesse, ao descobrir a traição da mãe, ela poderia ter recorrido ao pai em vez de ter ficado na rua. Inclusive preciso falar dessa traição porque me chocou muito (mesmo relendo). Se a intenção da autora era essa, conseguiu (continuo chocada até agora). Eu a imaginei totalmente desamparada com o que viu. Acho que essa inclusive é a palavra certa para descrever a Val e os jovens que ela encontra e com quem começa a viver  nas ruas, estão todos desamparados. 

Ravus é um troll que faz poções. Um dia ele pega Val e Lolli roubando em sua casa. Val acaba se colocando a serviço dele durante um mês em troca da liberdade de Lolli, que foi pega por ele. Acho o Ravus um personagem formidável e que deveria ter tido a história mais desenvolvida. Eu queria saber mais sobre ele e senti falta disso.

Lolli é completamente desequilibrada  e cruel. Assim como Dave. Os dois são resultado das circunstâncias em que estão inseridos e de tudo pelo que passaram. Eles só pensam em seus vícios e obsessões.  Já o Luis só pensa em proteger o Dave, seu irmão. Ele é um personagem que cresce ao longo da história.

Acho que o ponto forte da história é mostrar o processo de desamparo e como ele dá início a degeneração porque Val faz coisas horríveis, coisas que ela nunca teria feito em sua vida anterior.  Foi bem doloroso e triste porque parecia tão real.

Eu amo os livros da Holly Black, mas se tem algo que não gosto é a traição que sempre se faz presente neles: entre amigas, irmãs e nesse, entre mãe e filha. Tudo sempre pelo mesmo motivo, homens. Isso me incomoda bastante. Em minha opinião, faltou uma conversa entre Val e sua mãe mais detalhada. A que tiveram, para mim, foi rápida e pareceu superficial. Eu queria ver um processo de perdão e arrependimento melhor explorado para poder acreditar que aconteceu. 

Gatilhos: vício, violência, estupro e traição