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domingo, 21 de maio de 2023

O teste do casamento - Helen Hoang

Khai é um homem autista que não deseja ter um relacionamento com ninguém, mas que vê sua vontade sendo desrespeitada por sua mãe. Ela acredita que ele quer sim, só não dá uma oportunidade para isso. Enfim, ela vai ao Vietnã procurar uma noiva para ele sem dizer nada. Lá, ela conhece My, que trabalha como faxineira no hotel em que ela está fazendo o evento de procura da noiva. Esse evento deu super errado e nenhuma das garotas atraí a atenção da mãe do Khai. Bem, isso até ela conhecer My e ter certeza de que ela seria ideal para o filho.

Depois de My e ela se acertarem, a mãe o informa do arranjo que fez e combina com ele de não perturba-lo mais depois dessa experiência.  Khai concorda mesmo se sentindo manipulado.

My decide viver uma personagem para seduzir Khai. Ela adota o nome Esme quando vai para os EUA.

Eu acho que me incomoda a certeza da My em dizer que ele é perfeito para ela e para filha. Principalmente com a mentira rolando entre eles.  Ela nem sabia se ele queria ser pai, como diz que ele seria perfeito para esse papel? Não sou adepta de instalove e por isso me incomodou sim a forma como ela surge do nada e já faz esse tipo de declaração como se estivesse tudo certo. Em nenhum momento senti que ela queria conhecer o Khai ou fazer com que ele a conhecesse de verdade. 

Outra coisa é como ela começa a mudar a configuração da casa dele sem permissão.  Meu coração chegou a acelerar me imaginando na mesma situação, eu detesto que mexam nas minhas coisas sem me pedir e principalmente que mudem de lugar. 

Ela não conhece a palavra limites e faz coisas inconvenientes. Ela se impôs a ele. Senti grande incômodo e isso não me fez torcer por ela ganhar a afeição dele. My nem pesquisou sobre autismo depois dele ter dito que era autista. 

Uma das plots que mais gosto é de casamentos por conveniência. Mas não posso dizer que curti tanto assim aqui. Khai não merecia ser forçado a um relacionamento da forma que foi e principalmente ele não merece mentiras contadas por Esme porque ela queria conquistá-lo. Sabe, se fossem encontros apenas, eu relevaria ela ocultar informações, mas ela entrou na casa dele com o objetivo de casar e simplesmente mentir para ficar mais atraente aos olhos dele achei de muito mau gosto. Isso me fez enrolar bastante a leitura porque amei o Khai e achei essa situação tensa demais.

Enquanto romance pode não ter me convencido muito,  mas sobre o autismo me senti representada em vários momentos do Khai. Simplesmente eu acho incrível como eu consigo me encaixar perfeitamente nas descrições de certas situações feitas pela autora.  Outra coisa que achei interessante foi trazer a perspectiva do imigrante, da busca por uma nova oportunidade para si e para sua família em outro país porque é algo que a My foi atrás também, um futuro melhor.

Para mim foi difícil escrever essa resenha porque eu comecei o livro detestando a situação de todas as formas possíveis, achando a protagonista completamente sem limites, mas considerei os capítulos finais bons e até terminei com um sorriso no rosto. Lá para página cento e alguma coisa a protagonista deixa de ser completamente irritante e o livro começa a fluir melhor. Não me arrependo da leitura, mas mantenho minhas ressalvas sobre a protagonista nas primeiras 100 páginas.  Eu acho que a My do meio para o final foi bem mais legal do que aquela do início, o que me fez gostar um pouquinho mais dela e até torcer por ela (não torcer para o casal, mas sim pelos personagens separados).

domingo, 11 de dezembro de 2022

Os números do amor - Helen Hoang

Primeiro livro da série Os números do amor publicada pela editora Paralela. Esse livro me chamou muita atenção por causa da sinopse e logo fiquei com muita vontade de ler. Porém, vi muitas resenhas negativas e positivas no goodreads sobre ele e decidi conter minhas expectativas porque todos levantavam pontos que respaldavam suas opiniões. Então, resolvi comprar tanto esse quanto um outro da autora, mas sabendo que as opiniões sobre estavam bem divididas no momento em que pesquisei.

Um livro que eu sabia que poderia não gostar. É isso que ele era. Porém foi um livro que amei demais (ainda bem).

Stella tem sucesso em sua carreira, é econometrista (essa foi a primeira vez que ouvi falar da profissão e achei bem interessante). Ela é autista e tem dificuldades em relação a toques e relacionamentos. Quando sua mãe levanta o assunto de querer netos, ela decide contratar um acompanhante profissional, Michael, para que a ensine sobre relacionamentos já que é algo complicado para ela.

É sim, se você pensou em Uma linda mulher, eu também pensei, é uma releitura do filme. Se você não gostou do filme, talvez não vá gostar tanto do livro.

No livro, dá para sentir tudo que a Stella passa de uma maneira muito vívida.  Dá para sentir os sentimentos do Michael também. Tudo isso te pega de uma forma que não sei explicar. Foi uma experiência bastante importante para mim. É bem real e me atingiu bem forte. 

O Michael é uma gracinha. Ele se apaixona logo pela Stella e não consegui parar de pensar nele. Logo de cara a gente já sabe o motivo dele se tornar um acompanhante profissional, mas mais informações são adicionadas conforme a leitura avança. Sem falar que a autora mostrou outras partes de quem ele é e não ficou focada em apenas um aspecto da vida dele.

O livro é narrado em terceira pessoa e o foco narrativo se divide entre os dois protagonistas. Ter acesso aos pensamentos e sentimentos de Michael faz toda a diferença aqui e foi bem necessário para o desenvolvimento do livro. Além disso, os personagens principais interagem com outros personagens, ou seja, a vida deles não se resume um ao outro. É uma leitura fluída e envolvente. Não consegui largar. Agora, acho que tem cenas hot demais. Se você gosta, não será um problema. Se você não gosta, talvez seja um aspecto negativo da leitura para você.

Tem uma nota bem interessante no final do livro onde a autora revela que teve o diagnóstico tardio de autismo e fala um pouco da experiência dela. Aconselho muito a não pularem.