Primeiro livro da série Mulheres pioneiras publicada pela editora Arqueiro. Quando anunciaram o livro logo fiquei bastante empolgada e aguardando sua publicação. Eu nunca tinha lido nada da autora antes, mas já tinha ouvido muitos elogios e por pouco não li sua obra em inglês, mas como o anúncio da publicação em nosso idioma foi feito decidi aguardar. A capa do livro é tão linda e passa tanto a sensação de esperança quanto a de liberdade por causa do campo aberto que se estende. Eu tenho vontade de ficar abraçada nesse livro de tão maravilhoso que ele é.
O ano é 1867. A guerra civil tinha terminado. Apesar do lado vencedor ter garantido a liberdade, a luta dos libertos era por igualdade, por seus direitos, contra as injustiças que continuavam a infligir dor (continuam até hoje). No meio deste período turbulento, a jovem Valinda Lacy se levanta com o sonho de ensinar os libertos a ler e escrever. Ela nasceu livre, mas se coloca no lugar dos que não. Ela é uma personagem maravilhosa. A história se passa em Nova Orleans para onde a personagem principal viaja com a intenção de ensinar, lá ela encontra empecilhos, perigos e amor. A construção da personagem foi muito boa e acompanhá-la em sua jornada de autoconhecimento é incrível.
Drake LeVeq é um protagonista masculino maravilhoso. Ele assim como a protagonista nasceu livre. Ele vem de uma família que trabalha em prol da igualdade, de conquistar os direitos. É arquiteto e é muito reconhecido em Nova Orleans por seu trabalho. É uma personagem forte, corajoso e sensível (Estou completamente apaixonada por ele). Não vou continuar minha lista de características do personagem para não correr o risco de dar spoiler. O que percebi nessa obra é que todos os personagens foram muito bem construídos.
Os dois se encontram em um momento em que a Valinda está correndo risco e é resgatada por Drake e Sable, cunhada dele (inclusive ela tem livro e Arqueiro lança esse livros por favoooooooooor). O contato de Valinda com os LeVeq, principalmente com as mulheres da família, ajudam muito em sua jornada. Faz ela ansiar por mais e dar liberdade aos sonhos que já possuía.
O livro é muito impactante. A autora nos mostra fatos históricos e nos leva a refletir sobre muitas coisas. Veio a liberdade, mas onde estão as pessoas da sua família que foram vendidas para outro estado, onde estão seus direitos, onde está a igualdade, onde estão as indenizações pelos anos de escravidão? Onde está a liberdade de fato? Como recomeçar em meio a uma sociedade racista? Eu chorei muito durante a leitura e chorei escrevendo a resenha lembrando do que mais me marcou. Acho que com palavras nunca conseguirei descrever o quão maravilhoso é esse livro e quão importante a leitura dele foi para mim e quão necessário ele é. Terminei esse livro com saudade, querendo ver mais dos personagens. Terminei o livro querendo ouvir mais. Terminei esse livro procurando por outros. Inclusive achei muito querido o fato da Beverly ter acrescentado no final algumas das fontes as quais ela recorreu durante a pesquisa para o livro. A gente já sai do livro com dicas preciosas de leitura.

