quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Ventos de mudança - Beverly Jenkins


 

Primeiro livro da série Mulheres pioneiras publicada pela editora Arqueiro. Quando anunciaram o livro logo fiquei bastante empolgada e aguardando sua publicação. Eu nunca tinha lido nada da autora antes, mas já tinha ouvido muitos elogios e por pouco não li sua obra em inglês, mas como o anúncio da publicação em nosso idioma foi feito decidi aguardar.  A capa do livro é tão linda e passa tanto a sensação de esperança quanto a de liberdade por causa do campo aberto que se estende. Eu tenho vontade de ficar abraçada nesse livro de tão maravilhoso que ele é.

O ano é 1867. A guerra civil tinha terminado. Apesar do lado vencedor ter garantido a liberdade, a luta dos libertos era por igualdade, por seus direitos, contra as injustiças que continuavam a infligir dor (continuam até hoje). No meio deste período turbulento, a jovem Valinda Lacy se levanta com o sonho de ensinar os libertos a ler e escrever. Ela nasceu livre, mas se coloca no lugar dos que não. Ela é uma personagem maravilhosa. A história se passa em Nova Orleans para onde a personagem principal viaja com a intenção de ensinar, lá ela encontra empecilhos, perigos e amor. A construção da personagem foi muito boa e acompanhá-la em sua jornada de autoconhecimento é incrível.

Drake LeVeq é um protagonista masculino maravilhoso. Ele assim como a protagonista nasceu livre. Ele vem de uma família que trabalha em prol da igualdade, de conquistar os direitos. É arquiteto e é muito reconhecido em Nova Orleans por seu trabalho. É uma personagem forte, corajoso e sensível (Estou completamente apaixonada por ele). Não vou continuar minha lista de características do personagem para não correr o risco de dar spoiler. O que percebi nessa obra é que todos os personagens foram muito bem construídos.

Os dois se encontram em um momento em que a Valinda está correndo risco e é resgatada por Drake e Sable, cunhada dele (inclusive ela tem livro e Arqueiro lança esse livros por favoooooooooor). O contato de Valinda com os LeVeq, principalmente com as mulheres da família, ajudam muito em sua jornada. Faz ela ansiar por mais e dar liberdade aos sonhos que já possuía.

O livro é muito impactante. A autora nos mostra fatos históricos e nos leva a refletir sobre muitas coisas. Veio a liberdade, mas onde estão as pessoas da sua família que foram vendidas para outro estado, onde estão seus direitos,  onde está a igualdade,  onde estão as indenizações pelos anos de escravidão? Onde está a liberdade de fato? Como recomeçar em meio a uma sociedade racista? Eu chorei muito durante a leitura e chorei escrevendo a resenha lembrando do que mais me marcou. Acho que com palavras nunca conseguirei descrever o quão maravilhoso é esse livro e quão importante a leitura dele foi para mim e quão necessário ele é. Terminei esse livro com saudade, querendo ver mais dos personagens. Terminei o livro querendo ouvir mais. Terminei esse livro procurando por outros. Inclusive achei muito querido o fato da Beverly ter acrescentado no final algumas das fontes as quais ela recorreu durante a pesquisa para o livro. A gente já sai do livro com dicas preciosas de leitura.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Projeto duquesa - Sabrina Jeffries


 

Primeiro livro da série Dinastia dos duques publicada pela editora Arqueiro. A duquesa viúva de Armitage, Lydia Fletcher, viúva três vezes e com herdeiro para ducado de cada casamento, é uma figura e tanto na sociedade. Essa série será sobre seus filhos duques e a busca por respostas em relação as mortes dos pais deles. Estou muito curiosa para saber quem foi o responsável pelas mortes porque é impossível ter sido um acidente. Foram três duques. Três. Com mortes suspeitas. Vou dizer minha hipótese e que infelizmente vou ter que esperar até o último livro para saber se viajei muito ou não. Acho que quem quer tenha feito isso era obcecado(a) por Lydia ou por algo que ela possuía. Além disso, a pessoa só podia executar seus planos em solo inglês. Já que Lydia teve a possibilidade de viver um bom tempo com o seu marido na Prússia e ao voltar para Inglaterra ele morre. Então existia algum tipo de restrição de locomoção para o assassino(a). Enfim, vou deixar minhas conjecturas para outro momento da resenha. 

Esse livro é sobre o quinto duque de Greycourt, Fletcher Pryde, filho do primeiro casamento de Lydia. Ele é rico e bonito. Boatos de que ele gerencia uma rede de libertinos (é o queeee?). Por causa da morte de seu padrasto, o duque de Armitage, ele retorna a casa da mãe para o funeral. Existe uma mágoa no coração dele em relação a ter sido enviado ainda jovem de volta para Inglaterra para estudar em Eton. Só que ele guarda esses sentimentos. Ao chegar na casa do irmão, agora também duque (socorro quanto duque), Sheridan, ele encontra uma moça atraente (que?) e já é bombardeado com a suspeita de Sheridan de que o pai teria sido assassinado. A moça, Beatrice Wolfe, é prima de Sheridan e irmã de quem ele suspeita ter matado o pai.

É ai o lugar onde reside o problema para o mocinho do livro que não queria ficar tanto tempo assim na casa da família. Ele está ao mesmo tempo atraído por Beatrice e envolvido nessa investigação. Você quer clichê? Toma aqui o do mocinho que não quer amar e por isso não tem o desejo de casamento (ai ai quanta complicação).

Beatrice Wolfe é uma jovem com bastante energia, apesar de ser neta de um duque, não sabe como se comportar como uma nobre. Ela teve uma vida difícil e ainda se preocupa com seu irmão, Joshua. Ele era um major a serviço da Coroa e que por ter sido ferido durante a guerra foi enviado de volta para casa. Em um primeiro momento ela considera Grey esnobe e depois simplesmente se sente atraída por ele. Eu tenho muita dificuldade com mocinhas que não têm bom senso. A pessoa acusando o irmão dela de um crime e ela se sentindo atraída... Comecei a simpatizar mais com ela conforme pontos sobre a vida dela foram revelados.

A escrita da autora é leve e boa para imaginarmos. Não tive dificuldades em visualizar as coisas. O foco da narrativa alterna entre os protagonistas e isso é algo que sempre elogio nos autores porque quando está em só um personagem tenho muita dificuldade em me conectar. Achei alguns comentários do Sheridan com o Grey um tanto cruéis. Entretanto deu tom realístico porque é de se imaginar que nobres daquela época se achariam o último biscoito do pacote. Um ponto que achei ótimo foi a inserção dos protagonistas dos próximos livros neste com certo destaque para que conheçamos um pouco melhor.

A partir daqui farei certos comentários que podem ser spoiler, então só continue se você não se importar ou já tenha lido o livro.

Um fato me chamou muito a atenção e talvez não seja nada demais, mas com todo esse lance de assassinato pode ser que tenha ligação. Então vou deixar registrado aqui para não esquecer. Grey menciona uma situação que viveu na infância, a babá que ele teve antes da mãe casar de novo e mudarem para outro país. Ele caiu e abriu o queixo. Herdeiros na maioria dos livros são tão cuidados para que nada aconteça e coloque em risco a sucessão e por isso as vezes até se ressentem do peso do título. Ele não fala mais a nada sobre isso, mas não deixo de pensar que talvez seja uma pista, que a babá tenha visto algo suspeito. Posso estar errada, mas para mim é algo que está ligado a morte dos duques ou não faria sentido ser mencionado. Tenho lá minhas suspeitas de quem teria sido capaz disso, mas como não tenho certeza, vou esperar ler o segundo livro para mencionar aqui.

Sheridan se mostrou um péssimo detetive e até o Grey afirma isso na primeira cena. As suposições dele são extremamente fracas e olha se for ele a desvendar esse mistério no último livro, acho bom que melhore porque acho que eu levantei pontos muito mais importantes do que os dele e nem tinha saído do primeiro capítulo quando pensei minha teoria (até porque né, três duques). Entretanto, vou tirar meu chapéu para ele porque foi o primeiro dos irmãos a pensar em assassinato. Só acho que ele devia um grande pedido de desculpas no fim das contas.  A forma como tratam o Joshua, irmão da mocinha, é demais para mim. Eu fiquei com uma sensação muito forte de injustiça por muito tempo durante a leitura tanto que só fui olhar o lado do romance bem no final mesmo.