quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Como encantar um canalha - Suzanne Enoch


Já gargalhei e xinguei muito. Minha vida de leitora é bem emocionante e eu encerro a trilogia com o segundo livro. Este é o segundo livro da série Lições de amor (ou trilogia dos canalhas) publicada pela editora Harlequin. Nele temos Evelyn Marie Ruddick que ao passar por um orfanato e ver as crianças a observando decide ajudá-las e se surpreende com o quão gratificante é fazer algo em benefício do próximo. Dessa forma decide agir, mas existe uma pedra em seu caminho e essa pedra atende por Marquês de St. Aubyn conhecido como Santo (e de santo ele não tem nada, não é mesmo?).

Santo, ou melhor Michael (vou usar o nome de batismo sim porque quero) é um canalha de marca maior. Muito canalha, completamente canalha e insultantemente canalha (respira, respira e respira). Acho que nunca li um personagem em que eu sentisse tanto que fosse tão canalha tão libertino quanto Michael. Não me dei bem com ele no começo (até mais da metade) e estava um tanto revoltada (como já devem ter percebido).  Acho que se demorasse mais um pouco para conhecê-lo melhor, ia explodir. Ele não liga para nada nem para ninguém, não tem amigos, muitas pessoas o evitam porque a fama negativa dele é capaz de por fim as melhores das reputações. Ele caga (não vejo outra palavra mais apropriada) para coisas boas e só pensa no próprio benefício.

Evelyn é boazinha, mas não a acho tão sábia. Não consigo entender a atração dela pelo Santo dos primeiros capítulos inclusive ele segue assim até mais da metade (ele não me desce e eu não vou negar). Ela sabe exatamente o que ele quer, o que ele é porque Santo nunca fez questão de disfarçar seus modos ou motivos. As amigas a alertaram e ela fez tempestade em copo d'água pensando que elas não achavam capaz de lidar com a situação (pfvr suas amigas são as que estão como você para o que der e vier, essa ideia nem era para passar pela sua cabeça).  O que eu gosto na Evelyn é o desejo genuíno em ajudar o orfanato. Não tem como negar o quanto ela se importa com as pessoas. Entretanto, não entendo o relacionamento com ele (não dá, simplesmente não dá).

Eu acho que a escrita e construção de personagens da Suzanne Enoch maravilhosas. Faz com que mesmo que você não morra de amores pelo personagens em um primeiro momento ou que termine sem gostar (oi, Santo) seja possível embarcar na história e entendê-los no decorrer da trama. Tem também o toque de realismo, já que podemos ver a hipocrisia de uma sociedade que quer parecer boa mesmo sem ser e pensa só em seu próprio benefício. Você já leu a trilogia? O que achou desse livro? Se não, você já se deparou com um personagem como o Santo?  Conta para mim nos comentários.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Ventos de mudança - Beverly Jenkins


 

Primeiro livro da série Mulheres pioneiras publicada pela editora Arqueiro. Quando anunciaram o livro logo fiquei bastante empolgada e aguardando sua publicação. Eu nunca tinha lido nada da autora antes, mas já tinha ouvido muitos elogios e por pouco não li sua obra em inglês, mas como o anúncio da publicação em nosso idioma foi feito decidi aguardar.  A capa do livro é tão linda e passa tanto a sensação de esperança quanto a de liberdade por causa do campo aberto que se estende. Eu tenho vontade de ficar abraçada nesse livro de tão maravilhoso que ele é.

O ano é 1867. A guerra civil tinha terminado. Apesar do lado vencedor ter garantido a liberdade, a luta dos libertos era por igualdade, por seus direitos, contra as injustiças que continuavam a infligir dor (continuam até hoje). No meio deste período turbulento, a jovem Valinda Lacy se levanta com o sonho de ensinar os libertos a ler e escrever. Ela nasceu livre, mas se coloca no lugar dos que não. Ela é uma personagem maravilhosa. A história se passa em Nova Orleans para onde a personagem principal viaja com a intenção de ensinar, lá ela encontra empecilhos, perigos e amor. A construção da personagem foi muito boa e acompanhá-la em sua jornada de autoconhecimento é incrível.

Drake LeVeq é um protagonista masculino maravilhoso. Ele assim como a protagonista nasceu livre. Ele vem de uma família que trabalha em prol da igualdade, de conquistar os direitos. É arquiteto e é muito reconhecido em Nova Orleans por seu trabalho. É uma personagem forte, corajoso e sensível (Estou completamente apaixonada por ele). Não vou continuar minha lista de características do personagem para não correr o risco de dar spoiler. O que percebi nessa obra é que todos os personagens foram muito bem construídos.

Os dois se encontram em um momento em que a Valinda está correndo risco e é resgatada por Drake e Sable, cunhada dele (inclusive ela tem livro e Arqueiro lança esse livros por favoooooooooor). O contato de Valinda com os LeVeq, principalmente com as mulheres da família, ajudam muito em sua jornada. Faz ela ansiar por mais e dar liberdade aos sonhos que já possuía.

O livro é muito impactante. A autora nos mostra fatos históricos e nos leva a refletir sobre muitas coisas. Veio a liberdade, mas onde estão as pessoas da sua família que foram vendidas para outro estado, onde estão seus direitos,  onde está a igualdade,  onde estão as indenizações pelos anos de escravidão? Onde está a liberdade de fato? Como recomeçar em meio a uma sociedade racista? Eu chorei muito durante a leitura e chorei escrevendo a resenha lembrando do que mais me marcou. Acho que com palavras nunca conseguirei descrever o quão maravilhoso é esse livro e quão importante a leitura dele foi para mim e quão necessário ele é. Terminei esse livro com saudade, querendo ver mais dos personagens. Terminei o livro querendo ouvir mais. Terminei esse livro procurando por outros. Inclusive achei muito querido o fato da Beverly ter acrescentado no final algumas das fontes as quais ela recorreu durante a pesquisa para o livro. A gente já sai do livro com dicas preciosas de leitura.