Mostrando postagens com marcador galera. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador galera. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de janeiro de 2023

O herdeiro roubado - Holly Black

Primeiro livro da duologia O herdeiro roubado publicada pela Galera. Após 8 anos dos acontecimentos de A rainha do nada, voltamos ao reino das fadas junto a Suren e Oak. Oak tem uma missão importante: resgatar Madoc que foi sequestrado por Lady Nore e recuperar os ossos da rainha Mab que também estão no poder dela. Para essa missão, ele precisa de Suren, mas as intenções e planos dele são duvidosas e em meio a segredos será que os dois podem trabalhar bem juntos.

A história da Suren partiu meu coração tantas vezes que nem sei se sobrou algum caco para a próxima leitura (caramba, que tristeza).  Nós a encontramos sobrevivendo sozinha em uma floresta, olhando para família humana da qual ela foi separada quando pequena e temos flashbacks de como Lady Nore e Lorde Jarel os separaram. Dá um aperto muito grande no coração entender tudo o que ela passou.

Oak foi uma surpresa. Eu esperava que ele se comportasse diferente. Que a influência do mundo humano fosse mais forte do que a do reino das fadas nele. Ainda assim, não ACHO que ele tenha se tornado cruel como outras fadas e seres encantados. Apesar de ter desconfiado dele, não achava que ele faria algo MUITO ruim.

Foram introduzidos personagens novos. Entre eles, o Hyacinthe que amei demais e espero ver de novo e que tenha um final feliz. Na verdade, acho que a história dele renderia um conto se passando entre a rainha do nada e o herdeiro roubado (fica aqui meu desejo). E nunca vou perdoar por me fazer gostar de alguém que tentou matar o Cardan (PROTEJAM  O CARDAN).

O livro é narrado em terceira pessoa com foco em Suren. Somos guiados por ela e seu ponto de vista e levados a desconfiar do que exatamente o Oak está fazendo. Conforme a a história progride memórias envolvendo os dois nos são apresentadas. Achei muito fácil entender o que estava acontecendo, mas eu não previa a escolha que a Suren iria tomar. Não acredito que tenha sido boa e tenho medo de como isso vai refletir no próximo livro, qual caminho ela vai decidir tomar.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Livro da noite - Holly Black

Primeiro livro da duologia Livro da noite publicada pela Galera. É o primeiro livro voltado para o público adulto da Holly e é claro eu não poderia deixar de conferir. Charlie Hall é uma golpista. Ela engana e rouba. É isso o que ela faz melhor. Ela até que tentou se aposentar do mundo dos crimes e ter uma vida normal ao lado do namorado, Vince e a irmã, mas parece que ela atrai esse tipo de coisa. Na volta de um dia comum de trabalho ela presencia um assassinato cometido por um homem que parecia ter sombras envoltas nas mãos. O morto era um homem que ela tinha visto no bar onde trabalha, ele queria negociar partes de um livro conhecido como o livro da noite. 

Holly nos conduz em um mundo de magia onde sombras podem ser ativadas e as pessoas com sombras assim são chamadas de sombristas. O conhecimento sobre o mundo das sombras não é de conhecimento geral, muitos sombristas contratam pessoas para roubar livros de outros sombristas para roubar conhecimento adquirido por eles. 

Além disso existe a possibilidade de sombras se desvincularem de seus mestres se tornando o que chamam de pragas. Esses seres podem ser muito perigosos e por isso existe um grupo que os elimina. 

O livro da noite é dito ter um capítulo no qual explica como transformar uma sombra em  poderosa e livre de mestre, por isso é tão perigoso que caia em mãos erradas. E por isso atrai tantos males para quem está atrás dele. 

Charlie é uma personagem complicada, todo o meio que ela foi inserida a tornou o que é. Um pai e uma mãe que não se importaram com as filhas e que propiciaram os maiores perigos para elas. Foi o abandono o responsável por fazer Charlie ser quem é. Em algum momento, conforme a leitura avançava, eu fiquei bem triste por ela, por tudo que passou. 

EU particularmente gostei do livro, mas gosto dos livros da Holly (então sou suspeita para dar opinião) e seus personagens duvidosos que a gente acaba entendendo porque são assim (e é isso hahahah). Agora é esperar para saber como isso acaba, esperar pelo próximo livro porque tem uma virada no enredo que nossa, eu nem sei como vai ser resolvida. O foco narrativo fica na Charlie e os capítulos alternam entre presente e passado. Há também alguns capítulos dedicados a outro personagem, mas não vou comentar para não perder a surpresa.

domingo, 30 de outubro de 2022

Reino de ferro - Holly Black

Último livro da trilogia Contos de fadas modernos e é o único que não tinha lido (os outros eu reli aproveitando o relançamento). A Kaye está passando por uma crise por não saber a que lugar pertence. Ela se sente uma impostora junto da mãe humana e não se sente bem vinda no reino das fadas. Para completar seus problemas, manipulada durante a coroação de Roiben, ela acaba fazendo uma declaração que não é bem vinda por ele.

Kaye já sabe que foi trocada. Tiraram a filha humana de Ellen e colocaram ela no lugar. Isso gerou uma crise de identidade forte nela. Ela não tem culpa do que fizeram, mas se culpa. Para completar ela parece não ter espaço no reino das fadas e não entende como esse mundo funciona. Gostei muito mais da Kaye nesse livro do que no primeiro. Eu consegui entender melhor a personagem e seus dilemas. 

Além desse sofrimento de se sentir uma impostora dentro de casa, junto com a família humana. Ela tem o coração partido pelo Roiben quando ele não responde bem a declaração feita por ela. Durante a coroação, dizem para ela que é costume fazer uma declaração e receber uma missão que ela deve completar para se tornar consorte do rei. Quando a declaração não é bem vinda pelo monarca, ele dá uma missão impossível para jamais voltar a ver a pessoa. Kaye, criada por humanos, pensa de forma simples que a declaração nada mais é do que revelar seus sentimentos. Só que dá errado e Roiben pede que ela encontre uma fada que possa mentir, o que sabemos ser uma missão impossível porque fadas não mentem. 

Roiben também foi uma grata surpresa. Muitas atitudes dele e o relacionamento com a Kaye no primeiro livro deixaram a desejar (tóxico). Tinha muitas dúvidas se gostava dele ou não. Nesse livro ele foi muito melhor desenvolvido e para mim ficou claro os motivos de muitas das atitudes dele ao longo da história (muitas, não todas). 

Corny, melhor amigo da Kaye, teve ainda mais destaque nesse livro. Luis, que conhecemos no segundo livro, faz uma participação significativa. Amei demais porque ele foi um personagem que cresceu muito no segundo livro e que eu queria ver ter um final feliz (e veio). Luis e Corny acontecendo (eu tava só gritando e mandando foto para os outros).

Melhor livro da trilogia sim. Apaixonada, simplesmente apaixonada! Só lamento pelo Ravus e Val não terem aparecido tanto (eles só fizeram uma pontinha para mostrar que tá tudo bem com eles). Acho que todos os casais retratados na trilogia mereciam epílogos para a gente matar a saudade e vê-los felizes porque depois de tantas coisas vividas por eles, felizes para sempre é muito mais do que bem vindo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Valente - Holly Black

Segundo livro da trilogia Contos de fadas modernos publicada pela Galera. Os protagonistas desse livro não são os mesmo do primeiro livro. É uma história bem caótica. Val é uma adolescente com uma vida normal, mas ao descobrir que a mãe está tendo um caso com seu namorado, foge de casa e começa a viver nas ruas junto com Lolli, Dave e Luis. Além disso, ela descobre a existência de seres sobrenaturais e se pega em um pacto com um deles, Ravus.

Val não tem, ao que tudo indica, um bom relacionamento com os pais. Porque se tivesse, ao descobrir a traição da mãe, ela poderia ter recorrido ao pai em vez de ter ficado na rua. Inclusive preciso falar dessa traição porque me chocou muito (mesmo relendo). Se a intenção da autora era essa, conseguiu (continuo chocada até agora). Eu a imaginei totalmente desamparada com o que viu. Acho que essa inclusive é a palavra certa para descrever a Val e os jovens que ela encontra e com quem começa a viver  nas ruas, estão todos desamparados. 

Ravus é um troll que faz poções. Um dia ele pega Val e Lolli roubando em sua casa. Val acaba se colocando a serviço dele durante um mês em troca da liberdade de Lolli, que foi pega por ele. Acho o Ravus um personagem formidável e que deveria ter tido a história mais desenvolvida. Eu queria saber mais sobre ele e senti falta disso.

Lolli é completamente desequilibrada  e cruel. Assim como Dave. Os dois são resultado das circunstâncias em que estão inseridos e de tudo pelo que passaram. Eles só pensam em seus vícios e obsessões.  Já o Luis só pensa em proteger o Dave, seu irmão. Ele é um personagem que cresce ao longo da história.

Acho que o ponto forte da história é mostrar o processo de desamparo e como ele dá início a degeneração porque Val faz coisas horríveis, coisas que ela nunca teria feito em sua vida anterior.  Foi bem doloroso e triste porque parecia tão real.

Eu amo os livros da Holly Black, mas se tem algo que não gosto é a traição que sempre se faz presente neles: entre amigas, irmãs e nesse, entre mãe e filha. Tudo sempre pelo mesmo motivo, homens. Isso me incomoda bastante. Em minha opinião, faltou uma conversa entre Val e sua mãe mais detalhada. A que tiveram, para mim, foi rápida e pareceu superficial. Eu queria ver um processo de perdão e arrependimento melhor explorado para poder acreditar que aconteceu. 

Gatilhos: vício, violência, estupro e traição

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Tithe - Holly Black


Primeiro livro da trilogia Contos de fadas modernos publicada pela Galera Record. Esse foi o primeiro livro que li da Holly Black e decidi reler agora com o relançamento. Essa trilogia se passa antes da do Povo do ar. Tanto que os personagens daqui podem ser vistos em Elfhame (saudades Cardan). 

Kaye  é considerada esquisita. Quando criança tinha amigos do reino das fadas, mas que os outros achavam que eram imaginários. Após um incidente na cidade em que mora, ela e a mãe voltam a casa da avó dela e Kaye mais uma vez se vê em contato com os integrantes desse reino e com mais caos ao encontrar Roiben.

Kaye vive uma vida desregrada junto com a mãe. As duas são muito parecidas. Ela é  egoísta e por vezes uma péssima amiga. Conforme a trama desenrola, ela descobre algo importante sobre ela mesma. Tem certas coisas que me incomodam bastante em relação a Kaye e uma delas é ela ficar com o garoto que a amiga dela gosta. Não vou entrar em detalhes por questões de spoiler. Traição entre pessoas próximas é algo que eu acho péssimo e assim como no povo do ar, isso aparece aqui. Porém, ao mesmo tempo, acho difícil não gostar da Kaye. Ela tem os momentos bons e confia muito nas pessoas.

Roiben fez uma entrada e tanto no enredo. Ele quase morre (masoq). Porém, ele é salvo por nossa protagonista e fica em dívida com ela (parece que o jogo virou, não é mesmo?). Como fadas não mentem, ele é obrigado a cumprir o trato mesmo gerando certa desvantagem para ele. Confesso que não lembrava como ele era, sua personalidade (risos), mas foi só começar a ler e pronto, tudo voltou.

O relacionamento entre Roiben e Kaye é bastante complicado e eles enfrentam juntos vários desafios. Perdas, traições, complôs e amizades são tempero para o enredo desse livro. O que Kaye fará com o segredo que descobriu só saberemos no terceiro livro da trilogia porque o segundo será sobre outras personagens.

Fico abismada como ninguém teve uma cirrose nessa história (aqui me refiro aos humanos, já que fadas não padecem das mesmas coisas que a gente). O excesso está ali como esteve na trilogia do povo do ar. E mais uma vez a gente percebe que o reino das fadas não é um lugar para humanos e se em nosso próprio mundo podemos ser trapaceados por esses seres, lá é ainda pior. Foi muito bom reler e mal posso esperar pelo próximo.

quinta-feira, 17 de março de 2022

O castelo no ar - Diana Wynne Jones



Segundo livro do box Castelo animado publicado pela Galera. Nele Abdullah um jovem mercador de tapetes que vive sonhando em ser um príncipe perdido de um reino e inicia uma jornada incrível após comprar um tapete mágico. Ao dormir ele é levado para um jardim onde conhece Flor da Noite por quem se apaixona e com quem planeja se casar (só que nada é tão fácil ou sai como se deseja, não é mesmo?).

Abdullah é um jovem empreendedor que investe bastante de seu dinheiro comprando tapetes da melhor qualidade. Ele odeia a família da primeira esposa do pai dele e parece ser um sentimento reciproco, já que os mesmos estão tão interessados em criticá-lo. Ele também, em determinada cena, tem atitudes gordofobicas. A editora inclusive adicionou um nota de rodapé com seu posicionamento.  

Flor da Noite é uma princesa prometida em casamento. Seu pai não permite que ela conheça outros homens porque existe uma profecia de que ela se casará com o primeiro homem que conhecer (que azar hein). Ela é inteligente e prática. Logo, ela planeja se casar com Abdullah. Infelizmente para eles, um pouco antes de fugir, a jovem princesa é sequestrada por um djinn (gênio). É aqui que aventura começa.

Quando comecei a ler, ficava me perguntado onde estaria a aventura porque estava tudo muito "ah me apaixonei, ah vou fugir para casar" e confesso que estava achando bem chato. Inclusive me arrastei durante as 100 primeiras páginas.  É depois do sequestro que o livro começa ficar mais emocionante com gênios da lâmpada, tapetes voadores, ladrões, deserto e cavaleiro. A gente também encontra os personagens que tanto encantaram em O castelo animado e ver o que aconteceu com eles. Bateu até uma saudade do meu mago favorito.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

O castelo animado - Diana Wynne Jones


Algo que sempre me perturbou e quis saber era  se Sophie quebrava ou não a maldição lançada pela bruxa das terras desoladas. Por isso quando vi que a galera tinha lançado um box do Castelo animado, não pensei duas vezes e agora eis me aqui fazendo a resenha do livro.

Sophie é a mais velha de três e por isso destinada a não ter sorte para procurar grandes aventuras. É nisso que todos acreditam até o dia em que a bruxa das terras desoladas lhe lança uma maldição que encurta seu tempo de vida a tornando idosa. Além disso parte do feitiço a proíbe de dizer a qualquer um de que ela foi enfeitiçada. Dessa forma ela decide sair de casa e procurar seu próprio destino. Em seu caminho aparece o castelo do mago Howl e ela decide procurar abrigo ali onde ela conhece Calcifer, um demônio de fogo, Michael, aprendiz de mago e é claro o próprio mago Howl. 

Sophie jovem é mais retraída e aceita seu destino como filha mais velha. Já a Sophie idosa tem mais coragem e faz aquilo que tem vontade. Nesse ponto eu acho que não foi propriamente uma maldição, acho que ela ganhou a oportunidade de descobrir quem de fato é. Howl é meu mago dramático, causador e namorador. O que dizer de mim que seria uma das jovens apaixonadas por ele e que teria o coração partido (é sim, não engano ninguém).

Calcifer é dito como maldoso ou meio cruel. Não achei ele nada disso. As interações dele com os personagens sempre me pareceram de amizade e respeito. Além do mais é ele que oferece a Sophie quebrar o feitiço dela caso ela consiga quebrar o pacto que ele fez com Howl. Então, a única coisa que percebo nele é o desejo de ser livre. Adoro o trio Calcifer, Michael e Sophie (desculpa Howl).

Muitos acontecimentos ocorrem diferentes do filme e aqui temos mais detalhes, mais informações a respeito dos personagens e outros que conhecemos durante a leitura. Como por exemplo, as irmãs e madrasta de Sophie que têm nomes, profissões e suas próprias histórias acontecendo. Também conseguimos entender quem é a bruxa das terras desoladas e o que ela deseja com o Howl. Além da motivação dela ao enfeitiçar a Sophie. Posso descrever esse livro como uma grande aventura a qual a autora nos convida para participar. Uma leitura leve e deliciosa. Nunca tinha lido nada dela, mas fiquei bastante satisfeita e já estou bastante animada para leitura dos próximos livros do box.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

A rainha do nada - Holly Black

 

Terceiro livro da trilogia O povo do ar publicada pela Galera record. Ele me deixou completamente sem estrutura. Não conseguia parar de ler. Tenho um ritmo tranquilo de leitura, mas li super rápido e super nervosa. Como os livros são conectados, meu dever é avisar que tem spoiler nessa resenha e que se você não gosta ou ainda não leu os outros livros, não leia esta postagem. Te convido inclusive a conferir a resenha do primeiro livro: O príncipe cruel.  Jude se tornou rainha de Elfhame, mas também foi exilada no reino mortal por Cardan. Essa traição dele foi a gota que transbordou o copo. Sem muitas opções e nenhum rg, ela agora faz pequenos trabalhos para feéricos que vivem por lá. Quando a oportunidade de voltar ao Reino das fadas se apresenta, ela não a descarta.

Na minha opinião (minha, gente, minha) esse livro superou os antecessores com toda a tensão, briga, reviravoltas, o Cardan me conquistando e me dando a certeza de que não interpretei errado suas palavras na última cena do livro anterior (os 10% de bondade estão lá masoq). Tudo isso te prendendo nesse mundo cruel das fadas e te deixando com os pensamentos sinistros de que se tá tudo indo bem é porque logo vai desandar. Acho que num geral os personagens amadureceram e conquistaram seu espaço e isso foi incrível de acompanhar.

Continuo sem suportar a Taryn e todo o egoísmo dela. Acho que ela se aproveita demais da Jude. Todas as escolhas dela colocaram outras pessoas como prioridade e lançaram a própria irmã no perigo. Até acho que lá do meio para o final se tornou tolerável a história. Só que para mim o estrago já tinha sido feito no primeiro e no segundo livro. Não digo que não daria uma nova chance a ela caso ganhasse seu próprio livro e tal (também demonstrasse uma mudança nessa personalidade traidora dela q).

Eu já conhecia o reino das fadas porque antes de ler a trilogia o povo do ar, li Tithe (um milhão de anos atrás, mas li). Então a crueldade não foi algo que me surpreendeu ou me chocou. Acredito que talvez quem nunca tenha lido nada da autora nesse ambiente fique sim surpreso com esse lugar já que muitos de nós estamos acostumados com fadas madrinhas e suas varas de condão encantando abóboras para serem carruagens e criando sapatinhos de cristais ou sendo amorosas com suas protegidas. 

Apesar de durante a leitura ter desejado muito ter acesso aos pensamentos do Cardan, entendo porque só temos acesso aos da Jude. Acho que tem um fator surpresa e faz com que projetemos ilusões sobre ele. Ainda assim temos que esperar a protagonista fazer descobertas ou acompanharmos as cenas seguintes para ter certeza (ou não) de qualquer coisa que tenhamos pensado. Gostar do Cardan ou detestá-lo são possibilidades. Posso dizer que dos três esse é o que mais gostei. Inclusive, ao meu ver, ele dá uma abertura para num futuro sair algo sobre pelo menos três outros personagens: Oak, Suren e Taryn. Acho que os três tem histórias para contar e que seria legal tratar sobre isso em algum momento seja através de conto ou de livro (pensamento positivo).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O rei perverso - Holly Black


Segundo livro da trilogia o povo do ar publicada pela Galera record. É impossível não fazer spoiler do livro anterior na resenha desse e por isso se você não gosta,  pode conferir a do primeiro caso não tenha lido. Aviso dado, vamos lá. Cardan se tornou o grande rei graças a uma manobra da Jude, mas infelizmente os complôs não acabaram por ai. Ela ainda corre muitos riscos para proteger não só o trono como também a vida de seu irmão Oak que também tem direito de ser rei e manter sua própria vida. A briga por poder é sempre feroz. 

Não acredito que a Jude não entenda o que o Cardan tá dizendo.  Para mim está tão na cara e ela não lê nas entrelinhas. Desculpa, mas eles estão em um mundo onde não dá para dizer as coisas de forma aberta,  que tem espiões e traidores o tempo todo em torno deles. É um palácio e histórias sobre palácios e reis sempre trazem crueldade e questões relacionadas a briga pelo poder. Num cenário como esse, não entregar o jogo é a parte mais importante. Ao mesmo tempo eu entendo que o timing também não ajuda.

Nesse livro, algumas coisas que foram faladas servem como pistas em relação ao Cardan e a tudo. Fiz várias hipóteses e é tão satisfatório estar certa (RISOS). O livro segue sendo narrado em primeira pessoa pela Jude, mas como disse na resenha anterior esse fato não consegue me influenciar para pensar como ela. A gente consegue entender coisas que ela está vendo ou ouvindo, mas que não conseguiu perceber. Isso para mim é algo positivo (apesar de quem quer que passe pelo meu quarto me ouvir dizer NÃO TÔ CRENDO QUE SÓ EU ENTENDI ISSO SOCORROOOOO).

Taryn conseguiu ser ainda pior nesse livro. Sinceramente,  a traição dela é algo esperado.  Só a Jude que não previa, só a Jude fazendo esse papel. Ela nem pediu perdão pela primeira pisada de bola (não seria eu que acreditaria nela). Há essa altura do campeonato, mesmo que ela faça algo no terceiro livro para se redimir, ainda assim não conseguiria sentir nada em relação a ela e continuaria desconfiada (me aguardem no terceiro). Acho que a Taryn é um grande calcanhar de Aquiles para a Jude porque não importa o que ela tenha feito, a escolha da Jude sempre vai ser amá-la e colocar uma pedra em cima disso.

Eu gosto muito do Barata e do núcleo da corte das sombras, grupo de espiões recrutados pelo falecido príncipe Dain.  Ele é tão sábio, sabe? Não deixo de desejar que tivesse mais espaço ou algo só para ele como um livro. Não consigo deixar de pensar nele como alguém tão charmoso. As interações entre Jude, Barata e Bomba me tornam tão feliz no desenrolar da história. 

Aconteceram várias coisas nesse livro relacionadas as disputas pelo poder e egos. Foi muito bom. Acho inclusive melhor do que o primeiro em termos de acontecimentos. Confesso que nesse meu coração de gelo bateu levemente pelo Cardan e olha que eu sou team mocinho bonzinho para sempre, mas suponho eu, que se estiver correta em minhas interpretações, ele tem bem bem bem beeeem no fundo uma pontinha de mocinho bonzinho, mas é obrigado a disfarçar. Acho que toda vez que peguei o livro, li as cartas dele para Jude e vou continuar fazendo isso (RISOS). É bem mais forte do que eu.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

O príncipe cruel - Holly Black


Primeiro livro da trilogia O povo do ar publicada pelo  Galera record. As irmãs Jude, Taryn e Vivi testemunham o assassinato brutal de seus pais e são levadas para o Reino das fadas onde são criadas pelo assassino deles, Madoc. Vivi é meio feérica, mas as gêmeas Jude e Taryn são humanas e essa condição faz com que elas sejam alvo de ofensas e maldades. Inclusive o príncipe Cardan é um dos que mais maltrata as duas. Elas tem contato com ele por serem criadas como nobres feéricas.

Jude, nossa protagonista, é corajosa, leal, inteligente, mas falta bom senso e é impulsiva. Vou confessar que não entendo muito bem seu apego pelo reino das fadas mesmo sabendo que é o único lar que ela conheceu. Por diversas vezes enquanto a leitura avançava me perguntei como ela caiu nessa, como ela não viu isso vindo. Senti de longe o que estava para acontecer e ela sem perceber apesar de ser através de seus olhos que via e constatava.

Cardan é cruel mesmo, ele me dá alguns calafrios. Entretanto, não é um personagem simples, tem camadas que devem ser analisadas. Por ser um personagem muito bem construído, é interessante.  Eu estou acostumada com histórias de complô em palácios, então estava com minha antena ligada sem confiar em nada ou ninguém. As coisas que ele diz, consigo ver nas entrelinhas (pelo menos eu acho que consigo né). 

Acho que um dos pontos mais tensos do livro é a relação do Madoc com a Jude e que é muito controversa. Ele é o cara que matou os pais dela e ao mesmo tempo que ela sente medo e raiva, ela o ama como um pai porque ele a criou. É uma relação de medo e amor bem agoniante. Já minha opinião por Taryn é tão baixa que não sei se vale a pena ser descrita.  Não sei se conseguiria falar algo sem dar um mega de um spoiler. Então, vou ficar quieta (se você já leu, comenta aqui e diz o que acha). Vivi é a irmã que mais gosto porque ela é lógica. Faz todo o sentido em não gostar de viver no reino das fadas e principalmente com o Madoc. As cenas dela são sempre um alívio no caos que acho que é o relacionamento da Taryn com a Jude. 

O livro é narrado em primeira pessoa pela Jude. Funciona, mas não deixo de ficar irritada porque gostaria de saber os pensamentos do Cardan. Tiveram alguns momentos que eu pensei "bem Cardan sei o que você está fazendo" mesmo vendo com os olhos da Jude (você nunca conseguiria me enganar). Eu fico me perguntando se estou certa ou não. Estou com muita vontade de ler o livro sobre ele, mas vou segurar as pontas até terminar a trilogia (ou tentar segurar as pontas) e seguir em ordem. Fazia muito tempo desde que li algum livro da Holly Black e acho que foi bem satisfatório porque autora conseguiu trazer toda a crueldade que há em tramas com complôs em palácios dentro do mundo das fadas. É um livro sobre briga por poder com toda a maldade e inveja que isso pode reunir, então se você gosta desse tipo de plot fica aqui a dica.