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terça-feira, 11 de março de 2025

Everlasting love

Ye Ji Nan é uma estudante de arqueologia que acaba viajando no tempo ao segurar o crânio que supostamente é do rei Feng Zhili conhecido como tirano em seu reinado. Ela cai na pele de Ye Jinhui conhecida como concubina demoníaca por sua conduta em conjunto com o tirano (nem preciso dizer que isso a deixa apavorada).  Por saber do destino final que ela teria se continuasse no passado,  Ji Nan tenta descobrir como voltar ao presente e também mudar a história e a forma como é vista por todos. 

Mudar a história é algo, que na minha cabeça, é muito perigoso e por momentos pensei em finais trágicos que só séries de época chinesas conseguem entregar (Vai que tivesse um efeito trágico no futuro? Eu hein). Acho que a saída que o enredo trouxe para isso foi bem lógica e me agradou muito. Gostei muito da estruturação da história e a fluidez dos episódios.
 
Feng Zhili é um personagem assustador. Assustador no sentido de que tem um lado mega fofo e outro super sanguinário (meus olhos tão piscando sozinhos de nervoso). Ele é tirano mesmo e em muitas cenas fiquei atordoada (Jinan corre daí).  Entretanto, enredo deu uma justificativa para o comportamento dele e fez bastante sentido.  Seguiu bem a lógica da série.
 
Jinan foi a protagonista que eu pedi. Achei que ela conseguiu se desenvolver bem ao longo da série. Existia fragilidade e medo por causa da posição em que estava, mas ao mesmo tempo tinha coragem para tentar mudar seu futuro eminente. 
 
É uma série que gostei muito de assistir porque além de trazer um dos temas que mais gosto, foi feliz na construção e progressão dos personagens. Já assistiram?

domingo, 5 de maio de 2024

Garotos detetives mortos


Assim que vi o anuncio da netflix para essa série, fiquei muito animada e bem em dois dias assisti tudo desesperadamente. Dois fantasmas, Edwin e Charles, trabalham como detetives para auxiliar outros fantasmas a resolverem seus assuntos inacabados e partirem em paz (ou não). Em um dos casos, eles conhecem Crystal, uma jovem médium que estava sendo possuída por um demônio e que acaba tendo parte de sua memória levada por ele. Sem ter para onde ir, ela acaba se aliando aos detetives mortos para resolver todo tipo de caso.  Esta postagem terá alguns spoilers, então caso não goste, não leia os parágrafos seguintes.

Edwin e Charles estão fugindo da Morte. Edwin, principalmente. Ele fugiu do inferno, mas não, não pense que ele é alma de uma pessoa ruim. Ele foi injustamente lançado no inferno por causa de uma "brincadeira" de mau gosto feita por seus colegas de escola (coloquei várias aspas em brincadeira). Eles acharam um livro e fizeram um ritual em que se oferecia um sacrifício a um demônio. O livro não era falso e o demônio veio buscar sua oferenda. Edwin passou anos no inferno e isso o deixou um pouco frio e distante. 

Charles, meu raio de sol, passou por tanta coisa e ainda conseguia sorrir. Sua morte foi violenta, dolorosa e deixou um gosto bastante amargo na minha boca. Eu não sabia que iria chorar com essa série não.  Sério, queria muito abraçar esses dois fantasmas ( e olha que nem sou de abraços), mas meu coração ficou tão apertado por eles. 

Saindo da Inglaterra para investigar um caso de desaparecimento, Crystal, Charles e Edwin cruzam o caminho com o Gato rei. O gato coloca uma pulseira em Edwin que o impede de deixar a cidade até que diga quantos gatos tem lá ou dê o que ele quer em troca de liberdade. 

Presos no mesmo lugar, acabam criando laços com outros personagens como Niko e Monty. Niko é fã de animações. Edwin e ela se aproximam bastante e é com ela que ele se sente mais confortável em falar sobre sua vida pessoal. Monty, o corvo, até torci para ele ficar com o Edwin, mas não rolou e sinceramente a parceria dele com a bruxa foi o auge da minha tensão e preocupação porque estava muito protetora com o Edwin. Ao mesmo tempo, queria um final mais feliz para o Monty.

O gato rei merece um parágrafo inteiro, merece uma redação e um ode (ahahahaha). Num primeiro momento, não gostei dele querer impor a vontade dele ao Edwin, mas depois acho que fui seduzida pelo charme dele. Não shippei os dois porque parecia ter uma diferença de idade grande entre os personagens e meu coração também torcia para o Monty, mas nutri um carinho bem forte por ele. Acho que análise que o Edwin faz sobre o Gato no último episódio muito acurada. 

Crystal e Charles formaram um casal brevemente e parece que tem um sentimento bem forte entre eles. Eu shippei os dois bastante, mas ao mesmo tempo não queria que o Edwin sofresse (ele já sofreu demais na vida e morte). Inclusive para mim, um dos pontos altos é quando o Edwin fala dos sentimentos dele para o Charles.

A série tem começo, meio e fim. Então pode assistir sem medo de que fique sem continuação caso a netflix desista do projeto (MAS VOU FALAR EM CAPS QUE EU QUERO UMA SEGUNDA TEMPORADA SIM). Eu me apaixonei pelos três personagens principais e gostaria muito de voltar a vê-los em novas aventuras. Por último, fica a lição: tenha amigos que estariam dispostos a ir ao inferno para resgatar vocês (é o que).


domingo, 28 de abril de 2024

Noiva - Ali Hazelwood

Publicado pela editora Arqueiro. Apesar de ter um gancho para um próximo livro com outro casal,  não achei nada nas internetes (????) que indicasse que o livro faz parte de uma série (Tão sabendo de algo?). Importante ressaltar que a leitura dele não depende de outro e não tem final aberto. 

Eu fui sem expectativa por causa da repetição de plot nos livros que li da Ali  (a hipótese do amor e a razão do amor) e acabei me divertindo muito.  A sinopse do livro me chamou atenção por causa dessa vibe crepúsculo de vampiros vs lobos, casal improvável etc. E ainda bem que peguei para ler. 

Misery (Em português miséria e sim, um nome horroroso para protagonista) é filha de um dos líderes dos vampiros, mas ela nunca viveu entre eles. Ela mora entre os humanos, onde serviu como colateral numa aliança entre humanos e vampiros. O símbolo dessa aliança era a troca de um humano por um vampiro ligados a figuras importantes dos dois grupos. 

Além de humanos e vampiros, nossa história tem licanos (lobisomens). O medo da aproximação entre licanos e humanos, leva o pai da Misery a fazer uma nova aliança e essa estabelece um casamento por conveniência entre Lowe, alfa do grupo de licanos da região e sua filha, Misery.

Misery, detesta seu pai (não lembro se ele tem um nome e se tem esqueci), os vampiros que nunca a aceitaram etc, mas vê no casamento a possibilidade de entrar em território licano e descobrir o que aconteceu com sua amiga que desapareceu. A única pista que ela tinha apontava para Lowe e ela não perderia tempo para encontrar a única pessoa que esteve com ela em todos os momentos e a aceitou mesmo sendo vampira.

Aqui temos os clichês casamento por conveniência, opostos se atraem e aproximação forçada. Casamento por conveniência é de longe o meu clichê favorito e amo quando encontro livros com esse tema e principalmente quando também tem fantasia, sobrenatural envolvido. 

Não gostei e nem desgostei da Misery e a achei divertida em diversos momentos da história. Gostei muito da relação dela com a melhor amiga, Serena e de sua busca por ela. Acho que foi o ponto alto. O romance dela com o Lowe foi legal, mas achei que foi um pouco excessiva as cenas de sexo (mas pode ser só eu porque não curto muito) e que o tempo usado nelas poderia ser usado para trabalhar mais a relação dos dois. 

Lowe teve uma cena problemática para gerar drama lá perto do final e que foi resolvida de forma bem rápida no último capítulo. Ele tava completamente apaixonado pela Misery e só não viu quem não quis (isso mesmo, Misery, estou falando com você). Enfim, já leram?

domingo, 7 de janeiro de 2024

Phantastes - George Macdonald

Publicado pela editora Thomas Nelson e minha primeira experiência com a escrita do autor. Uma viagem para o reino das fadas que começou de forma inesperada. Neste livro acompanhamos as aventuras (e desventuras) de Anodos no reino das fadas. É um percurso onde ele vive histórias e encontra histórias.

Esse livro tem introdução do C. S. Lewis (autor das crônicas de Narnia e um dos meus autores favoritos) e isso foi um dos motivos que me fez pegar o livro para ler.

Anodos quebrou a regra número 1 dos contos de fadas que é cuidado com desconhecidos que podem usar aparência frágil e bondosa para te fazer algo ruim (vide branca de neve que caiu na conversa da madrasta má disfarçada de senhorinha). Desobedecer ou não ouvir o conselho dado sempre podem te colocar em risco em histórias como contos de fadas. Entretanto, os erros sempre trazem aprendizado. Na história de Anodos, mesmo em seus erros, ele avança.

Não vou enganar ninguém, foi uma leitura, para mim, bastante difícil por ter períodos longos e muitas descrições cheias de adjetivos. Parágrafos e parágrafos com longas descrições antes de algum diálogo. Entretanto,  apesar da velocidade de leitura ser devagar por causa disso,  eu considerei o livro muito bom. Toda temática é em torno de esperança, amor sacrificial e pela busca por algo ainda invisível, por paz. Os erros cometidos durante a jornada não conseguem destruir o desejo de Anodos de avançar, sua esperança.

domingo, 19 de novembro de 2023

O acordo com o rei elfo - Elise Kova

Esse livro chamou minha atenção logo de cara por conter elfos (tem elfos, fadas, ogros? tem Emi). É o primeiro livro da série Married to magic publicada pela editora cabana vermelha. Foi uma das minhas compras na bienal e fiquei bastante animada com a aquisição.

O rei elfo deve casar com a rainha humana para preservar o equilíbrio em entremundo e manter a paz com reino natural.  O problema é que passado o tempo adequado,  nem sinal da rainha.  Por isso, ele mesmo vai ao mundo humano, reino natural,  buscar sua rainha e a descobre com os poderes selados. 

Luella descobre muito tarde que é a rainha humana.  Por culpa de Luke, sua paixonite, ninguém sabia que ela era rainha humana e por isso todo mundo estava pagando um alto preço pela demora em assumir sua posição. 

Apesar de não querer abrir mão de sua vida,  Luella sabe o dever que tem como rainha e vai com o rei para o entremundo. Lá ela descobre o papel de rainha humana envolve sentar em  um trono que suga seus poderes para gerar estações do ano no entremundo. Lugar que até então era inverno esperando por ela.

Quando comecei a ler fui atormentada pelo medo de um triângulo amoroso, mas logo ele desvaneceu (obrigada). Teve um momento só da protagonista que me deu raiva, achei em certa altura um atitude dela como falta de responsabilidade afetiva apesar de saber a motivação. Só eu saber não importa, o mocinho tinha que saber também e eu ficava dividida entre os pensamentos "como você pode fazer isso?" e "tá, eu até entendo.".

Nessa história, o protagonista masculino, Eldas, se apaixona primeiro por ela (é meio óbvio que está apaixonado, só não vê quem não quer. Alô, Luella). Eu acho que poderia ter desenvolvido mais conversas entre eles, algo mais profundo. Ficou um pouco superficial. Apesar disso gostei do enredo e já quero ler o segundo livro da série. Também gostaria que outros personagens ganhassem seus próprios livros. Um deles é o Harrow, irmão problemático do protagonista (recebeu meu selo de potencial para protagonismo sim).

domingo, 5 de março de 2023

Inuyasha - Rumiko Takahashi [parte 1]

Eu fiz um post quando comprei o volume 1 do mangá, mas pensei muito sobre o que fazer nos próximos e quais informações gostaria de ter sobre a edição especial. Então, resolvi fazer 6 postagens e tratar de 5 volumes em cada uma delas (o mangá terá 30 volumes).

Nessas postagens, darei algumas informações como quais foram os vilões enfrentados e farei um breve comentário sobre cada volume. Principalmente coloquei a informação de que capítulo até que capítulo vai cada volume para quem começou sua coleção com outra edição e gostaria de completar comprando essa.

Kagome é uma estudante comum, mas que acaba viajando para o Japão feudal. Lá ela descobre ser a reencarnação de uma sacerdotisa e recebe a missão de encontrar os pedaços da joia de quatro almas que ela acidentalmente espatifou. Ela conta com a  ajuda de Inuyasha, um jovem meio youkai (divindade) que estava selado.

Volume 1


Capítulos:
1 até o 17

Oponentes: mulher-centopeia, shibugarasu, Yura de cabelos invertidos

O primeiro volume tem toda essa pegada introdutória. A Kagome caindo literalmente em uma missão e tendo que trabalhar com o Inuyasha para poder completá-la.  Ainda nesse volume, a gente conhece o irmão do Inuyasha por parte de pai, Sesshomaru, com quem ele tem um histórico de rivalidade. Sesshomaru deprecia seres humanos e o Inuyasha é metade humano. Nunca tinha lido o mangá Inuyasha e fiquei bastante satisfeita por terem preservado os nomes japoneses dos oponentes de Kagome e Inuyasha, mas ao mesmo tempo terem colocado notas com os correspondentes em português. Acho que teve todo um cuidado tanto com quem já conhecia o universo de Inuyasha quanto com os possíveis novos leitores.


Volume 2


Capítulos:
18 até o 35

Oponentes: Sapo de Tsukumo, a máscara de carne e irmãos Raijuu

O Shippou aparece. Sempre considerei a história do Shippou emocionante, mas achei mais ainda no mangá. Acho que por ser leitura teve um impacto maior. Ele conhece Kagome e Inuyasha em sua busca por vingança contra os assassinos do pai dele, os irmãos Raijuu.

Acho que este volume mostra a importância da missão de recuperar as joias porque  tem um impacto no Japão dos dias atuais colocando em risco pessoas que ignoram a existência de youkais.

 

 

Volume 3


Capítulos:
36 até o 53

Oponentes: cabeça de aranha, feiticeira Urasue

Se é para chorar, vamos chorar e esse volume foi assim. Primeiro nós temos a possibilidade de um espírito se tornar maligno e ser arrastado para o inferno por causa de um mal-entendido. A Kagome se mostrou cada vez mais com traços de sacerdotisa já que ela se importou com a alma e fez o que podia para livrá-la do rancor. 

O outro ponto importante foi a volta da Kikyou. Quando assisti o anime pela primeira vez, não me importava com ela e tinha muita raiva do que eu considerava ser só uma personagem egoísta. Lendo o mangá, não consigo deixar de sentir pena. Ela perdeu tudo inclusive sua vida nova em sua reencarnação. 

Miroku, um monge com um buraco de vento na mão, aparece e ele tem interesse na joia de 4 almas.

 

Volume 4


Capítulos:
54 até o 72

Oponentes: pintor que usa tinta corrompida, Naraku

Agora finalmente descobrimos o que aconteceu entre Kikyou e Inuyasha e quem foi responsável pelo mal-entendido que causou rancor entre eles. 

Naraku foi identificado (os demais comentários são meus xingamentos contra o Naraku e tudo que ele representa).

 

 

 

 

Volume 5


Capítulos:
73 até o 91

Oponentes:Toukajin, Naraku

Toukajin é um dos vilões que me causam mais repulsa pelo que faz.

Esse volume também mostra a crueldade de Naraku, mais uma vez, gerando rancor em pessoas para conseguir o que deseja. 

A Sango é enganada por ele e acredita que Inuyasha é seu inimigo.  A história dela não é novidade para quem já assistiu o mangá, mas assim como a do Shippou, partiu meu coração.



E vocês, estão colecionando algum mangá?

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Valente - Holly Black

Segundo livro da trilogia Contos de fadas modernos publicada pela Galera. Os protagonistas desse livro não são os mesmo do primeiro livro. É uma história bem caótica. Val é uma adolescente com uma vida normal, mas ao descobrir que a mãe está tendo um caso com seu namorado, foge de casa e começa a viver nas ruas junto com Lolli, Dave e Luis. Além disso, ela descobre a existência de seres sobrenaturais e se pega em um pacto com um deles, Ravus.

Val não tem, ao que tudo indica, um bom relacionamento com os pais. Porque se tivesse, ao descobrir a traição da mãe, ela poderia ter recorrido ao pai em vez de ter ficado na rua. Inclusive preciso falar dessa traição porque me chocou muito (mesmo relendo). Se a intenção da autora era essa, conseguiu (continuo chocada até agora). Eu a imaginei totalmente desamparada com o que viu. Acho que essa inclusive é a palavra certa para descrever a Val e os jovens que ela encontra e com quem começa a viver  nas ruas, estão todos desamparados. 

Ravus é um troll que faz poções. Um dia ele pega Val e Lolli roubando em sua casa. Val acaba se colocando a serviço dele durante um mês em troca da liberdade de Lolli, que foi pega por ele. Acho o Ravus um personagem formidável e que deveria ter tido a história mais desenvolvida. Eu queria saber mais sobre ele e senti falta disso.

Lolli é completamente desequilibrada  e cruel. Assim como Dave. Os dois são resultado das circunstâncias em que estão inseridos e de tudo pelo que passaram. Eles só pensam em seus vícios e obsessões.  Já o Luis só pensa em proteger o Dave, seu irmão. Ele é um personagem que cresce ao longo da história.

Acho que o ponto forte da história é mostrar o processo de desamparo e como ele dá início a degeneração porque Val faz coisas horríveis, coisas que ela nunca teria feito em sua vida anterior.  Foi bem doloroso e triste porque parecia tão real.

Eu amo os livros da Holly Black, mas se tem algo que não gosto é a traição que sempre se faz presente neles: entre amigas, irmãs e nesse, entre mãe e filha. Tudo sempre pelo mesmo motivo, homens. Isso me incomoda bastante. Em minha opinião, faltou uma conversa entre Val e sua mãe mais detalhada. A que tiveram, para mim, foi rápida e pareceu superficial. Eu queria ver um processo de perdão e arrependimento melhor explorado para poder acreditar que aconteceu. 

Gatilhos: vício, violência, estupro e traição

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Amari e os irmãos da noite - B. B. Alston

Primeiro livro da trilogia investigações sobrenaturais publicada pela editora Seguinte. Conheci  o livro através de um post da Cida do blog Moonlight Books sobre lançamentos da editora e me apaixonei pela sinopse. Na primeira oportunidade que tive, comprei e agora estamos aqui. Obrigada, Cida! 

Gente, se vocês gostam de fantasia, investigação e seres sobrenaturais, esse é o livro que você precisa conhecer hoje. Sério, mesmo. Com certeza é um dos melhores livros que li esse ano e já já você vai entender o porquê.

O irmão de Amari desapareceu e a vida dela parecia desmoronar. Vítima de bullying e racismo na escola, ela acabou perdendo a bolsa de estudos por apenas se defender. Porém, tudo está prestes a mudar. Seu irmão desaparecido, Quinton, a inscreveu no acampamento da agência de casos sobrenaturais. Agora além da descoberta de que seres sobrenaturais existem e o desaparecimento do seu irmão estar relacionado a isso, ela tem que conquistar seu lugar na agência.

Amari Peters é uma jovem criada apenas pela mãe porque o pai abandonou a família. O desaparecimento de Quinton é uma dor muito profunda para ambas, mas Amari não consegue se resignar com a perda e não acredita na morte dele (acredito que nem a mãe, mas a gente não tem acesso aos pensamentos dela). A considero uma personagem forte, corajosa, inteligente e que está cansada de ser menosprezada. A crença de que pode achar o irmão ainda com vida é o que a motiva a querer um espaço na agência. Entretanto, mesmo na agência sua vida não é nada fácil. Ela tem que lidar com ódio em relação aos magos dos quais descobriu fazer parte. Ela conta com ajuda de seus dois amigos Elsie e Dylan.

Quinton é irmão mais velho de Amari e tudo indica que ele é perfeito. Além de ser um bom irmão, é um bom cidadão e um agente muito amado no mundo sobrenatural. É com Amari que descobrimos o que aconteceu com ele e a natureza de sua investigação.

Elsie é colega de quarto da Amari e super fã do duo formado pelo irmão da amiga com a agente Maria, os VanQuish. Ela é um ser sobrenatural, uma dragumana. É simplesmente um gênio criativo. Logo de cara as duas se tornam amigas e se unem para investigar o que aconteceu com o duo.

Dylan Van Helsing é irmão da Maria. Ele é que vai ajudar a Amari em relação a ser mago porque oras ele também é um mago. Por causa do ódio aos magos, ele só conta a Amari sobre seu poder. Ele compartilha informações com ela e se une a sua investigação.

O livro é narrado em primeira pessoa.  Acho que o diferencial para mim dos outros livros de fantasia que li este ano (e que gostei muito), é que as partes do mundo real são realidades em que o leitor vive ou presencia. Ou seja, é um livro que não descarta o mundo em que vivemos e que ao mesmo tempo cria dentro dele um mundo fantástico pronto para ser explorado. É o primeiro livro que leio desse autor e assim já sinto que quero tudo que ele escreve na minha mesa porque me senti compreendida e abraçada por sua escrita. Além dele nos lembrar que intolerância, bullying e racismo existem, ele nos diz que tudo pode ser diferente, que podemos mudar nosso destino, basta oportunidade. É uma mensagem poderosa sobre a necessidade de dar e receber oportunidades.

O final foi assim boom. Muito bom e surpreendente (eu não teria descoberto se não tivesse espiado e sim eu sempre espio). Agora eu estou o caos esperando o próximo livro (já procurei até spoilers, mas tô aqui sofrendo).

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Your name - Ranmaru Kotone e Makoto Shinkai

Publicado pela editora JBC. É um mangá baseado no filme com o mesmo nome. Assim que lançou, comprei, mas como estava em uma fase bem difícil sem conseguir ler por prazer, só peguei agora (inclusive vários livros dessa época que ainda não li). Enfim, estamos aqui. Minha versão é a de três volumes, mas sei que tem uma versão de volume único e por isso minha resenha não será só sobre primeiro volume, mas da história em geral.

Mitsuha é uma colegial que vive junto com sua irmã e avó em uma cidade do interior chamada Itomori. Juntas elas mantêm o santuário da família resguardando a tradição. Mitsuha não tem um bom convívio com o pai de quem se distanciou desde a morte da mãe. Se pudesse nascer de novo, ela gostaria de ser um garoto vivendo em Tóquio, livre de qualquer julgamento. Um dia, algo estranho acontece e o que ela pensou ter sido um sonho se mostrou uma experiência real: ela esteve o dia inteiro no corpo de um garoto de Tóquio, Taki, e ele no dela. 

No decorrer da história os dois passam a se comunicar através de mensagens deixadas no caderno dela e entradas no diário dele do celular. Eles começam a ficar bem próximos passando a compreender melhor a situação um do outro, mas logo são surpreendidos pela abrupta interrupção das trocas. Sem conseguir entrar em contato com Mitsuha, Taki tenta encontrá-la (torcida aqui fervorosa por ele).

Mitsuha é uma pessoa gentil e fofa. Ela demonstra isso durante a estadia no corpo de Taki. Ela é legal com todo mundo e tenta criar oportunidades para ele. Já em Taki gosto da perseverança dele em relação as coisas que estão acontecendo e como juntos, ele e Mitsuha conseguem o inimaginável. Acho que se tivesse que definir essa história em poucas palavras, diria que ela é sobre criar laços familiares, de amizade e de amor.

Uma das coisas que mais me fascina em Your name é a delicadeza e sensibilidade da história. Não é só um enredo de troca de corpos, os sentimentos estão tão vivos, as experiências dos personagens os ressaltam. Eu acho que me deu uma sensação muito pacífica lendo. A forma como é conduzido faz com que o leitor acredite com naturalidade na história, pelo menos é assim que me senti como se fosse algo que realmente pudesse acontecer. Meu coração se sentiu preenchido. Vou até rever o filme.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

A noiva do deus do mar - Axie Oh

As vezes os livros nos encontram e foi o caso desse. Entrei na livraria com uma lista de livros e ao olhar na direção dele, a protagonista vestindo hanbok, roupa tradicional coreana, me chamou logo. Parecia que tinha chamado meu nome. Faz mais ou menos 11 anos desde que comecei a estudar coreano e sempre fico bastante animada com publicações relacionadas ao país.

Dito isso, vamos lá. O livro foi publicado pela editora melhoramentos e essa é minha primeira experiência de leitura com ela. Mina é uma jovem corajosa e bastante leal a quem ama. Ela ama seu irmão e é por ele que ela decide se tornar a noiva do deus do mar.

Era costume escolher uma jovem que seria sacrificada ao deus do mar por causa das constantes tempestades e desolações. Ela seria levada de barco e engolida pelo oceano. Dessa vez, a jovem era Shim Cheong. Ela e todos no vilarejo já sabiam seu status de noiva há muito tempo, mas não impediu que Joon, irmão de Mina, e ela se apaixonassem. Num pacto silencioso, ele estava disposto a enfrentar a  divindade. Porém, Mina não aceitaria que seu amado irmão o fizesse e se oferece como noiva.

Ao pular do barco, sua vida muda para sempre. Ao despertar, se percebe viva no Reino dos espíritos e o mais importante, o deus do mar não tinha abandonado seu povo, ele parecia amaldiçoado.A partir desse momento sua missão é de procurar uma solução para isso o mais rápido possível para evitar mais sacrifícios e mortes causadas pela falta do deus.

Entretanto, nada é fácil. Em seu caminho aparecerão muitos problemas. Além disso, ela se vê ligada pelo fio do destino a outra divindade, Shin. A pergunta "o que aconteceu com o deus do mar?" permeia ao longo de quase toda história. Tem uma pista ou outra sim e em certo ponto da leitura teorias começam a se formar.

Mina é uma personagem corajosa, por vezes imprudente e impulsiva, mas que se adapta rápido as situações. É inteligente e faz o que acha certo. Gostei bastante dela e acho que foi bem construída. Fiquei bem animada esperando o que exatamente ela faria.

Eu achei toda a cena de sacrifício impactante. Imagina você está num barco, aparece um dragão de dentro d'água como um emissário para levar a noiva ao seu destino. Eu só pensava no que iria acontecer se o Joon ia enfrentar o dragão, se os dois iam se jogar na água juntos ou ia ter bate boca entre os irmãos. Tinha toda a aura de tensão me envolvendo enquanto lia.

Logo de cara posso dizer que gostei bastante. A narrativa é feita em primeira pessoa e apesar de que prefiro mil vezes terceira pessoa, acredito que casou perfeitamente com a história que é sobre a Mina e a personagem é uma contadora de histórias ou seja, faz todo sentido ela narrar a própria história. O acesso aos pensamentos do Shin não fizeram falta. Seriam bem vindos? Lógico. Porém, por ser uma divindade acho que um certo grau de mistério cai bem. O enredo não traz rivalidade feminina e acho isso maravilhoso.

O livro dialoga com contos populares e mitos coreanos principalmente através de sua personagem principal que conta histórias. E me deu uma sensação muito boa e confortável porque ela trouxe alguns dos meus favoritos como Heungbu e Nolbu e o conto de Shim Cheong.  A atitude sacrificial da Mina, inclusive, espelha a mesma atitude que Shim Cheong tem em seu conto porque ela se sacrifica em busca da cura de seu pai enquanto a protagonista desse livro faz por amor ao seu irmão.

Se você tem interesse por esse universo tem uma série coreana na netflix chamada A noiva de Habaek e o manhwa (quadrinho) que espero que algum dia seja lançado no Brasil, The bride of the water god.

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Era uma vez um coração partido - Stephanie Garber

Antes de mais nada preciso exaltar essa capa linda e dizer que amei que o livro veio com mimos, poster e marcador. Agora sim, vamos lá. Primeiro livro da série Era uma vez um coração partido publicada pela editora Gutenberg. É o primeiro livro que li da autora e fiquei bastante satisfeita.

Evangeline Raposa achou uma ótima ideia ir a uma igreja onde você pode fazer um pacto com um arcano, que te deixa completamente em posição desvantajosa, para impedir o casamento do cara que ela gostava.  Tinha como dar certo???? Claro que não. Foi bom ela ter ido? Acho que sim né ou a história não teria um começo.
 
Quando li a sinopse tive medo de se tratar de uma protagonista egoísta porque venhamos e convenhamos arruinar o casamento de alguém que você gosta não me parece uma motivação super altruísta. Porém vieram os fatos e com ele o entendimento de que talvez eu estivesse lendo um grande conto de fadas e eu adoro contos, releituras ou personagens que acreditam neles. Também veio o convencimento de que a protagonista foi colocada em uma posição complicada e fez o seu melhor com os recursos que tinha dentro daquele universo. E foi assim que me peguei completamente imersa na aventura.

Como todo conto de fadas precisa de uma bruxa má aqui ela se faz presente pronta para roubar a felicidade da protagonista em toda e qualquer oportunidade. Também temos um príncipe encantado ou melhor vários (escolha o que preferir e é isso. Uhul buffet de príncipe). A simpatia pela protagonista foi natural e veio logo junto com a torcida para tudo dar certo. Quanto mais lia sobre Evangeline, mais gostava dela. 

Evangeline é uma personagem que me fez nutrir muito carinho. Apesar de num primeiro momento, quando li a sinopse, eu jurar que ia detestá-la, não foi o que aconteceu. Ela está longe de ser egoísta. Ela é alguém que deseja o melhor e que crê em magia e em finais felizes. Está disposta a se sacrificar e acreditar em quem ama e eu a acho incrível por isso apesar dos contras que essas características trazem consigo.

Amei o príncipe de copas, Jacks, sim. Meu príncipe inclusive (quem disser que não, tem inveja de mim q). Vou até emoldurar o poster para olhar para cara dele todo dia (brincadeira ou não). Não sei o motivo de gostar dele, não sei de verdade, afinal o beijo dele é capaz de matar e ele tem atitudes duvidosas. O cara tem a própria igreja na qual as pessoas podem ir lá e rezar para ele ( é o que?). E sim, ele é o arcano com o qual a protagonista faz um pacto.
 
Os arcanos dentro da história são seres poderosos que podem realizar pedidos, mas a coisa pode sair do controle. Um pacto com um arcano é sempre desigual. Lembrou um pouco aqueles contos sobre gênios que realizam os desejos ao pé da letra e sempre trazem o caos para quem pediu. Tem sempre um preço a ser pago se você fizer pacto com um arcano e achei bem interessante. Como disse antes, adoro contos de fada e esse livro constrói um e é tão satisfatoriamente bem conduzido. 
 
A leitura é fluida e gostosa. O tratamento do texto está um primor (gostamos de coisas bem traduzidas e bem revisadas sim). Faz muita diferença ler um livro bem escrito e bem traduzido. Escolhi não falar sobre os outros personagens do livro para não entregar muito do que acontece. Eu estava jurando que a plot ia girar em torno do casamento do boy amado da Evangeline, mas a história foi além e me fez querer ter segurado um pouco a leitura até já ter o segundo lançado (agora já foi e não tem volta, socorro). Fazia tempo que não interagia tanto com uma leitura como foi com essa, mas eu falei muito. FALEI O TEMPO TODO (até meu irmão veio ver se estava tudo bem comigo porque eu estava brigando com os personagens e ele achou que estava brigando com algum conhecido). Se vocês gostam de fantasia, contos de fada, então só vem que é o seu lugar.

quinta-feira, 24 de março de 2022

O encanto dos corvos - Margaret Rogerson


Publicado pela editora Literalize. Nunca tinha lido nenhum livro da autora ou editora. Conheci através da resenha da Sil do blog Prefácio e a história pareceu ter tudo o que mais me encanta em livros de fantasia. Fiquei muito animada lendo a resenha (obrigada, Sil). Por isso, assim que tive oportunidade, comprei.

O livro conta a história de uma moça chamada Isobel que vive com a família no Reino Excêntrico e pinta retratos de feéricos. Esse é seu trabalho e por ele recebe encantos que a mantêm. Ela leva uma vida tranquila até o dia em que teve que pintar o retrato do príncipe do outono, Rook.

Achei a Isobel audaciosa e verdadeira em suas escolhas. Também achei que ela se apaixonou muito rápido pelo príncipe e ele por ela (porque era óbvio que ele também tava afim). Apesar disso, a protagonista feminina foi ótima e bem trabalhada.

Rook é o príncipe do meu coração (é o que??). Eu o achei uma criatura encantadora, mesmo no momento em que sua real aparência era descrita. Acho que ele foi um personagem bem construído e não quero escrever mais a respeito dele com medo de dar um spoiler bem grande.

O livro é narrado em primeira pessoa pela Isobel. Particularmente, eu prefiro livros que alternam o foco narrativo. Porém, não achei um problema de fato porque a história é boa e sua protagonista também. Devo dizer que adoro esse mundo fantástico que é o reino das fadas e as possibilidades geradas por ele (quanto mais livros que se passem lá melhor). A autora soube construir bem o enredo e finalizar tudo em um livro. E isso é tão satisfatório. Não acho que tenha ficado ponta solta. A única coisa que não me agradou foi o interesse dos protagonistas um pelo outro ter sido despertado tão rápido. Ao terminar a leitura, eu pensei em três personagens que eu queria que ganhassem seus próprios livro. São eles: Gadfly, Lark e Aster. Eu os considerei bem interessantes e gostaria de saber mais sobre eles. Porém, não achei nenhuma informação de que a autora pretenda escrever sobre algum deles. Então deixo aqui meu desejo de que isso aconteça (vai que né?).

P.S: No reino Excêntrico é sempre verão e eu penso se não estaria eu lá porque no Rio também é assim e está um forno q

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

O castelo animado - Diana Wynne Jones


Algo que sempre me perturbou e quis saber era  se Sophie quebrava ou não a maldição lançada pela bruxa das terras desoladas. Por isso quando vi que a galera tinha lançado um box do Castelo animado, não pensei duas vezes e agora eis me aqui fazendo a resenha do livro.

Sophie é a mais velha de três e por isso destinada a não ter sorte para procurar grandes aventuras. É nisso que todos acreditam até o dia em que a bruxa das terras desoladas lhe lança uma maldição que encurta seu tempo de vida a tornando idosa. Além disso parte do feitiço a proíbe de dizer a qualquer um de que ela foi enfeitiçada. Dessa forma ela decide sair de casa e procurar seu próprio destino. Em seu caminho aparece o castelo do mago Howl e ela decide procurar abrigo ali onde ela conhece Calcifer, um demônio de fogo, Michael, aprendiz de mago e é claro o próprio mago Howl. 

Sophie jovem é mais retraída e aceita seu destino como filha mais velha. Já a Sophie idosa tem mais coragem e faz aquilo que tem vontade. Nesse ponto eu acho que não foi propriamente uma maldição, acho que ela ganhou a oportunidade de descobrir quem de fato é. Howl é meu mago dramático, causador e namorador. O que dizer de mim que seria uma das jovens apaixonadas por ele e que teria o coração partido (é sim, não engano ninguém).

Calcifer é dito como maldoso ou meio cruel. Não achei ele nada disso. As interações dele com os personagens sempre me pareceram de amizade e respeito. Além do mais é ele que oferece a Sophie quebrar o feitiço dela caso ela consiga quebrar o pacto que ele fez com Howl. Então, a única coisa que percebo nele é o desejo de ser livre. Adoro o trio Calcifer, Michael e Sophie (desculpa Howl).

Muitos acontecimentos ocorrem diferentes do filme e aqui temos mais detalhes, mais informações a respeito dos personagens e outros que conhecemos durante a leitura. Como por exemplo, as irmãs e madrasta de Sophie que têm nomes, profissões e suas próprias histórias acontecendo. Também conseguimos entender quem é a bruxa das terras desoladas e o que ela deseja com o Howl. Além da motivação dela ao enfeitiçar a Sophie. Posso descrever esse livro como uma grande aventura a qual a autora nos convida para participar. Uma leitura leve e deliciosa. Nunca tinha lido nada dela, mas fiquei bastante satisfeita e já estou bastante animada para leitura dos próximos livros do box.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Como o rei de Elfhame aprendeu a odiar histórias - Holly Black


Publicado pela Galera Record, selo do grupo editorial Record. Atenção: Se você ainda não leu a trilogia povo do ar e não gosta de spoiler, não leia essa resenha. Veja a resenha de O príncipe cruel. Neste livro narrado do ponto de vista de Cardan conhecemos um pouco mais sobre ele, sobre como ele se tornou quem encontramos no primeiro livro da trilogia o povo do ar.  As ilustrações são lindas e casam perfeitamente com o livro.

Aqui vemos como ele e Nicasia se conheceram e namoraram, também como terminou. Essas situações foram mencionadas por alto em O príncipe cruel, mas que  não vimos nem sabemos os detalhes. Confesso que além dessas, eu tinha certa expectativa de ver outras cenas principalmente de como o Cardan passou durante o exílio da Jude em A rainha do nada, mas infelizmente não tem nenhum detalhe sobre isso (nenhuma ceninha, nadinha de nada, eu mesma a iludida). Também temos um acontecimento após o fim da trilogia e eu adorei completamente tanto do desenvolvimento da história como a forma com a qual Cardan lida com o assunto. Acho que a Holly Black tem um talento para nos tornar obcecados com personagens cheios de falhas ( e põe falha neles).

Não é um livro longo, tem só 190 páginas. Com capa dura e ilustrações, é um presente para quem gostou da trilogia e gostaria de saber um pouquinho mais do Cardan. Além disso sanou uma das questões que tinha na minha cabeça sobre como ele tinha conseguido o exemplar de Alice no país das maravilhas. Adoro também como o fio de uma nova história se entrelaça com as memórias dele e resultam neste livro. Aqui, me despeço do reino das fadas esperando que em breve possa ter mais uma aventura por lá.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O rei perverso - Holly Black


Segundo livro da trilogia o povo do ar publicada pela Galera record. É impossível não fazer spoiler do livro anterior na resenha desse e por isso se você não gosta,  pode conferir a do primeiro caso não tenha lido. Aviso dado, vamos lá. Cardan se tornou o grande rei graças a uma manobra da Jude, mas infelizmente os complôs não acabaram por ai. Ela ainda corre muitos riscos para proteger não só o trono como também a vida de seu irmão Oak que também tem direito de ser rei e manter sua própria vida. A briga por poder é sempre feroz. 

Não acredito que a Jude não entenda o que o Cardan tá dizendo.  Para mim está tão na cara e ela não lê nas entrelinhas. Desculpa, mas eles estão em um mundo onde não dá para dizer as coisas de forma aberta,  que tem espiões e traidores o tempo todo em torno deles. É um palácio e histórias sobre palácios e reis sempre trazem crueldade e questões relacionadas a briga pelo poder. Num cenário como esse, não entregar o jogo é a parte mais importante. Ao mesmo tempo eu entendo que o timing também não ajuda.

Nesse livro, algumas coisas que foram faladas servem como pistas em relação ao Cardan e a tudo. Fiz várias hipóteses e é tão satisfatório estar certa (RISOS). O livro segue sendo narrado em primeira pessoa pela Jude, mas como disse na resenha anterior esse fato não consegue me influenciar para pensar como ela. A gente consegue entender coisas que ela está vendo ou ouvindo, mas que não conseguiu perceber. Isso para mim é algo positivo (apesar de quem quer que passe pelo meu quarto me ouvir dizer NÃO TÔ CRENDO QUE SÓ EU ENTENDI ISSO SOCORROOOOO).

Taryn conseguiu ser ainda pior nesse livro. Sinceramente,  a traição dela é algo esperado.  Só a Jude que não previa, só a Jude fazendo esse papel. Ela nem pediu perdão pela primeira pisada de bola (não seria eu que acreditaria nela). Há essa altura do campeonato, mesmo que ela faça algo no terceiro livro para se redimir, ainda assim não conseguiria sentir nada em relação a ela e continuaria desconfiada (me aguardem no terceiro). Acho que a Taryn é um grande calcanhar de Aquiles para a Jude porque não importa o que ela tenha feito, a escolha da Jude sempre vai ser amá-la e colocar uma pedra em cima disso.

Eu gosto muito do Barata e do núcleo da corte das sombras, grupo de espiões recrutados pelo falecido príncipe Dain.  Ele é tão sábio, sabe? Não deixo de desejar que tivesse mais espaço ou algo só para ele como um livro. Não consigo deixar de pensar nele como alguém tão charmoso. As interações entre Jude, Barata e Bomba me tornam tão feliz no desenrolar da história. 

Aconteceram várias coisas nesse livro relacionadas as disputas pelo poder e egos. Foi muito bom. Acho inclusive melhor do que o primeiro em termos de acontecimentos. Confesso que nesse meu coração de gelo bateu levemente pelo Cardan e olha que eu sou team mocinho bonzinho para sempre, mas suponho eu, que se estiver correta em minhas interpretações, ele tem bem bem bem beeeem no fundo uma pontinha de mocinho bonzinho, mas é obrigado a disfarçar. Acho que toda vez que peguei o livro, li as cartas dele para Jude e vou continuar fazendo isso (RISOS). É bem mais forte do que eu.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

O príncipe cruel - Holly Black


Primeiro livro da trilogia O povo do ar publicada pelo  Galera record. As irmãs Jude, Taryn e Vivi testemunham o assassinato brutal de seus pais e são levadas para o Reino das fadas onde são criadas pelo assassino deles, Madoc. Vivi é meio feérica, mas as gêmeas Jude e Taryn são humanas e essa condição faz com que elas sejam alvo de ofensas e maldades. Inclusive o príncipe Cardan é um dos que mais maltrata as duas. Elas tem contato com ele por serem criadas como nobres feéricas.

Jude, nossa protagonista, é corajosa, leal, inteligente, mas falta bom senso e é impulsiva. Vou confessar que não entendo muito bem seu apego pelo reino das fadas mesmo sabendo que é o único lar que ela conheceu. Por diversas vezes enquanto a leitura avançava me perguntei como ela caiu nessa, como ela não viu isso vindo. Senti de longe o que estava para acontecer e ela sem perceber apesar de ser através de seus olhos que via e constatava.

Cardan é cruel mesmo, ele me dá alguns calafrios. Entretanto, não é um personagem simples, tem camadas que devem ser analisadas. Por ser um personagem muito bem construído, é interessante.  Eu estou acostumada com histórias de complô em palácios, então estava com minha antena ligada sem confiar em nada ou ninguém. As coisas que ele diz, consigo ver nas entrelinhas (pelo menos eu acho que consigo né). 

Acho que um dos pontos mais tensos do livro é a relação do Madoc com a Jude e que é muito controversa. Ele é o cara que matou os pais dela e ao mesmo tempo que ela sente medo e raiva, ela o ama como um pai porque ele a criou. É uma relação de medo e amor bem agoniante. Já minha opinião por Taryn é tão baixa que não sei se vale a pena ser descrita.  Não sei se conseguiria falar algo sem dar um mega de um spoiler. Então, vou ficar quieta (se você já leu, comenta aqui e diz o que acha). Vivi é a irmã que mais gosto porque ela é lógica. Faz todo o sentido em não gostar de viver no reino das fadas e principalmente com o Madoc. As cenas dela são sempre um alívio no caos que acho que é o relacionamento da Taryn com a Jude. 

O livro é narrado em primeira pessoa pela Jude. Funciona, mas não deixo de ficar irritada porque gostaria de saber os pensamentos do Cardan. Tiveram alguns momentos que eu pensei "bem Cardan sei o que você está fazendo" mesmo vendo com os olhos da Jude (você nunca conseguiria me enganar). Eu fico me perguntando se estou certa ou não. Estou com muita vontade de ler o livro sobre ele, mas vou segurar as pontas até terminar a trilogia (ou tentar segurar as pontas) e seguir em ordem. Fazia muito tempo desde que li algum livro da Holly Black e acho que foi bem satisfatório porque autora conseguiu trazer toda a crueldade que há em tramas com complôs em palácios dentro do mundo das fadas. É um livro sobre briga por poder com toda a maldade e inveja que isso pode reunir, então se você gosta desse tipo de plot fica aqui a dica.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Inuyasha - Rumiko Takahashi [vol 1]


Finalmente, depois de mil anos de espera (sim, eu sou dramática), Inuyasha foi relançado pela JBC. O mangá contará com 30 volumes e eu mal posso esperar para ter todos guardadinhos e seguros na minha estante. Amo Inuyasha, mas nunca tive a oportunidade de ler o mangá. Lembro de quando assisti o anime pela primeira vez e de como adorava os personagens e me sentia super envolvida pela história. Então estou encantada.

Em 1996  a jovem Kagome vive com sua mãe, irmão mais novo e avô em um santuário xintoísta em Tóquio. Um dia ela é puxada por um espírito maligno pelo poço oculto localizado em sua casa e vai parar no Japão medieval.  Lá ela descobre que é a reencarnação de uma sacerdotisa, a Kikyou, e recebe a missão de encontrar os pedaços da joia de quatro almas que ela acidentalmente quebrou com uma flecha espalhando-a por diversos cantos do Japão. Para completar essa missão ela precisa da ajuda de Inuyasha.

Inuyasha é um meio youkai (espírito, criatura sobrenatural) que passou anos selado em uma árvore. É a Kagome que o livra. Ele quer o poder da joia de quatro almas, mas precisa da ajuda de Kagome para localizá-la. Ele e Kikyou tem um passado que só vai ser esclarecido no decorrer da história. O que gera certa animosidade entre ele e Kagome apesar dela já ter repetido várias vezes que não é a Kikyou. Nesse volume eles enfrentam a mulher centopeia, Yura de cabelos invertidos e etc. Além disso temos já a aparição de Sesshoumaru, irmão de Inuyasha e com quem tem certa rivalidade.

Achei a edição linda e fiquei abraçada nela por muito tempo (sério, já tava pensando a hora em que alguém ia vir e falar: larga esse mangáaaaa). Para quem é fã da história é muito emocionante ter em mãos uma edição tão bem cuidada (gratidão jbc). Inuyasha é um mangá que reúne viagem no tempo, sobrenatural, aventura e romance, ou seja, tem tudo que particularmente gosto. Além disso tem a nostalgia de rever personagens tão queridos e que deixaram uma marca tão grande no meu coração (olha ela, que fofa). O volume também conta com uma introdução ao Inuyasha e uma entrevista com a autora e foi algo bem interessante para conhecer melhor o mangá.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

A noiva fantasma - Yangsze Choo


 

Livro publicado pela Darkside e era um que eu queria muito ler desde  que assisti a série que leva o mesmo nome na netflix, mas como eu não estava na vibe de ler livros fantasia na época (na verdade eu não estava na vibe de ler livro algum na época), foi uma leitura que deixei de lado. Não conhecia a escrita da autora e adorei como ela nos conduz para o lugar e época em que a história é inserida. Há uma riqueza de detalhes por parte dela e isso nos ajuda a formar imagens do que está sendo descrito. Foi um livro muito bom de ler e que para degustar cada página li bem devagar (mais do que o de costume).

Em 1893 no Malaia, é oferecido a jovem Li Lan uma proposta de casamento. Entretanto, não é uma proposta comum, o noivo está morto e seu fantasma começa azucrinar a jovem para que ela o aceite. Só que apesar de sua condição financeira precária, a jovem luta contra o destino de se tornar uma noiva fantasma e nos abre uma porta para esse mundo. Através dos olhos de Li Lan conheceremos o caminho percorrido por fantasmas descrito no livro.

Li Lan é uma jovem inteligente, determinada e por vezes acredito que lhe falte uma pitada de bom senso. A curiosidade dela é sem tamanho. A acho uma ótima protagonista feminina e inclusive em vez de estar focado em romance, o livro trabalha em torno da aventura, jornada da mocinha. Considero até um pouco difícil chamar algum dos personagens masculinos de protagonista porque o foco esteve sempre nela e em seus sentimentos.

O livro é bem escrito. É narrado em primeira pessoa, mas apesar disso (como sabem eu não curto muito) acho que casou perfeitamente com a proposta feita pela autora. Nós afinal de contas descobrimos um mundo sobrenatural junto e através dos olhos da mocinha. Sofremos os mesmos impactos que ela ao ver fantasmas ou demônios. A leitura sem dúvida entrou para as minhas favoritas do ano e foi uma experiência diferente já que tinha assistido a série antes. Ao mesmo tempo que foi uma leitura muito boa, também foi uma que me deixou com a sensação de falta. Eu precisava de um livro que me contasse os acontecimentos que decorreram após esse. Tem muita gente que gosta desse tipo de final, não odeio, mas não me sinto muito feliz quando deixam algo para imaginar.

O comentário abaixo tem spoiler e só os leia se você já leu o livro ou não se importa com spoiler.

Sinto pena do Tian Bai, acho que ele merecia mais, acho que a Li Lan deveria sim ter encontrado e oferecido uma explicação a ele. Ela foi egoísta nesse ponto. Já que terminou dando a entender que ela não faria isso. Como não consigo parar de pensar nele, não deixo de desejar que ele ao menos ganhasse um livro ou pelo menos um conto. Algo sobre ele e que me dissesse que ele encontrou um final feliz.